Europa Ministro francês da Economia lança movimento político a um ano das presidenciais

Ministro francês da Economia lança movimento político a um ano das presidenciais

Emmanuel Macron anunciou o lançamento de um novo movimento político. O nome é sugestivo - "Em Marcha" – e a um ano das presidenciais gaulesas adensa as dúvidas sobre eventuais aspirações do ministro ao Eliseu.
Ministro francês da Economia lança movimento político a um ano das presidenciais
Reuters
David Santiago 07 de abril de 2016 às 18:50

"Em Marcha" é o nome do mais recente movimento político francês, criado e protagonizado por Emmanuel Macron (na foto), o actual ministro gaulês da Economia. Na passada quarta-feira, 6 de Abril, Macron confirmou o lançamento deste movimento, definindo como objectivo "desbloquear França". Depois de elucidar que este movimento não tem inspiração de esquerda nem de direita, Macron anunciou que o "Em Marcha" (En Marche!) está aberto a receber membros de outros partidos "republicanos".

 

"Estou num Governo de esquerda, despudoradamente, mas eu também quero trabalhar com pessoas de direita, comprometidas com os mesmos valores", disse Macron, citado pelo Financial Times, em declarações feitas em Amiens, a sua terra-natal no norte de França. 

A um ano das presidenciais francesas, Emmanuel Macron afiança que a criação do "Em Marcha" serve para fomentar o surgimento de novas ideias e tentar resolver o problema da desigualdade que se verifica em França, mas muitos encaram esta iniciativa como um marcar de posição do ainda ministro do Governo socialista liderado por François Hollande.

  

Com 38 anos, Macron chegou ao centro da vida política gaulesa quando, em Agosto de 2014, o presidente Hollande decidiu promover o na altura conselheiro presidencial para os assuntos financeiros a titular da pasta da Economia. Até essa altura, Macron trabalhava num banco de investimento e era um perfeito desconhecido para a generalidade dos franceses.

 

Mas desde que é ministro, este ex-militante socialista tem sido alvo de muitas críticas provenientes dos sectores mais à esquerda do PS francês (PSF), especialmente porque Emmanuel Macron foi o rosto de um conjunto de reformas ao mercado laboral, aprovadas à revelia do Parlamento, e que foram consideradas "amigas" do patronato e excessivamente liberais como, por exemplo, a defesa do aumento das 35 horas de trabalho semanal.

 

Macron não rejeita candidatar-se ao Eliseu

 

Durante o anúncio feito na quarta-feira, Macron assumiu que o lançamento deste movimento "é radical, um pouco louco", mas explicou que a originar esta iniciativa esteve a constatação de que "existe uma grande energia neste país".

 

Perante a consolidação eleitoral da Frente Nacional (FN) e a ameaça representada por este partido liderado por Marine Le Pen, que acalenta a esperança de ser eleita presidente de França, reina uma grande incerteza em relação ao futuro político do país. Com uma economia praticamente estagnada e uma taxa de desemprego ainda muito elevada, François Hollande continua com níveis de popularidade historicamente baixos para um presidente e Nicolas Sarkozy luta ainda para tentar assegurar o lugar de candidato do centro-direita ao Eliseu.

 

Confrontado com este cenário, Emmanuel Macron assegura que o projecto final do "Em Marcha" não passa pela protagonização de uma candidatura presidencial, mas também não afasta essa possibilidade.




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