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Negociações a três acabam após primeira reunião e deixam Espanha perto de eleições

O Podemos chegou à primeira reunião conjunta com PSOE e Cidadãos com uma contraproposta de 20 medidas que arrasou as poucas possibilidades de um acordo entre estas três forças políticas. Espanha ficou ainda mais perto de novas eleições.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 08 de Abril de 2016 às 14:47
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A primeira reunião a três entre o PSOE, o Podemos e o Cidadãos, realizada na passada quinta-feira, não permitiu ultrapassar o bloqueio político que impede o Congresso (equivalente à Assembleia da República) espanhol saído das eleições de 20 de Dezembro de formar Governo. Antes pelo contrário, parece ter confirmado a impossibilidade de um acordo entre estas três forças políticas, reforçando o cenário de novas eleições gerais já em Junho.

 

Depois de ter faltado à conferência de imprensa agendada para depois do encontro que terminou ao início da noite de ontem, esta sexta-feira, 8 de Abril, o secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, tentou encostar os socialistas à direita dizendo que o PSOE quer um "Governo de [Albert] Rivera presidido por [Pedro] Sánchez".

 

Confrontado com a garantia dada pelo líder socialista, Pedro Sánchez, de que o pacto firmado com o Cidadãos de Albert Rivera seria a base para um eventual acordo que inclua o Podemos, Pablo Iglesias chegou à reunião de ontem com uma contraproposta de 20 medidas que, ao invés das concessões anunciadas, mantém o essencial das anteriores propostas do partido e que o Cidadãos rejeita liminarmente. Isso mesmo foi criticado por Rivera.

 

Já esta manhã, Pablo Iglesias lamentou que "o Cidadãos [diga] que jamais apoiará um Governo em que esteja o Podemos". Com o líder do Podemos a insistir na tentativa de obtenção do suporte do Cidadãos a um Governo das esquerdas – PSOE, Podemos e a Esquerda Unida (IU, pró-comunista), isto apesar de saber que a intenção de PSOE e Cidadãos passa por tentar garantir o apoio parlamentar do Podemos ao acordo assinado entre Sánchez e Rivera.

 

Pablo Iglesias prosseguiu lamentando que Sánchez e Rivera não estejam "dispostos a ceder em praticamente nada" e defendendo que "seria muito triste que não houvesse em Espanha um Governo progressista quando existe uma maioria para tal". Ainda assim, Iglesias anunciou que o Podemos irá consultar as bases do partido num referendo interno em que serão colocadas duas perguntas citadas pelo El País: "Queres um Governo assente no pacto Rivera-Sánchez?" e "Estás de acordo com a proposta para um Governo de mudança defendida pelo Podemos, En Comú Podem e En Marea (duas confluências regionais do Podemos)?".

 

O El Mundo escreve que o líder do Podemos está apenas a simular uma espécie de referendo "cujo resultado pode prever-se de antemão", assim tentando afirmar-se como verdadeiro líder da esquerda espanhola ao mesmo tempo que empurra PedroSánchez para a direita, numa espécie de slogan antecipado para as cada vez mais prováveis eleições gerais que, a acontecer, deverão ter lugar a 26 de Junho. O número dois do Podemos, Íñigo Errejón, avisou hoje que "não estamos de acordo com o pacto Sánchez-Rivera. Se a oferta é a mesma, vamos votar da mesma maneira". Ou seja, vão votar contra a investidura do líder socialista como primeiro-ministro, tal como fizeram nas duas tentativas de investidura falhadas.

 

No fundo, o acordo a três defendido pelos socialistas – que o porta-voz do PSOE, Antonio Hernando – disse ontem "ainda ser possível apesar de difícil", permitiria ao secretário-geral socialista surgir no centro político como mediador de um acordo das forças de "mudança" capaz de superar o impasse político em Espanha.

O socialista Hernando explicava ontem que a via dos 161 deputados (PSOE, Podemos, IU, Compromís) "não é possível, que a via dos 130 (PSOE e Cidadãos) "também não", notando que "só resta a via 199, a do grande acordo transversal" entre PSOE, Podemos e Cidadãos. 
Possibilidade cada vez mais distante. Porque se o Podemos rejeita o acordo PSOE-Cidadãos, o Cidadãos também recusa apoiar o pretendido Governo PSOE-Podemos.

 

Cidadãos põe fim às negociações a três

 

Logo à saída do encontro de ontem, o porta-voz do Cidadãos, José Manuel Villegas, sublinhava a distância que separa o seu partido do Podemos, mas deixava em aberto a possibilidade de as conversações a três prosseguirem. Contudo, esta manhã Alberto Rivera avisou que "não haverá mais negociações a três se o Podemos não mudar de postura".

 

Isto porque Pablo Iglesias chegou à reunião de ontem reafirmando a intenção do Podemos que passa por garantir o direito à autodeterminação e pela insistência na formação de um Governo das esquerdas. As 20 medidas apresentadas poucas mudanças trouxeram ao programa do Podemos, consistindo essencialmente em pequenos retoques.

 

O prazo para a formação de Governo termina no dia 2 de Maio, pelo que o expectável revés na possibilidade de um acordo PSOE-Podemos-Cidadãos deixou Espanha ainda mais próxima de novas eleições gerais. Possibilidade que o PSOE quer evitar por considerar que só Mariano Rajoy, presidente do PP e primeiro-ministro ainda em funções, poderá beneficiar de tal situação.

Mas esta não parece uma posição unânime no sei do PSOE, com o antigo líder socialista e ex-primeiro-ministro, José Luis Zapatero, um homem próximo de Susana Díaz, presidente da Andaluzia e aspirante à liderança do PSOE, a ver com bons olhos a hipótese de novas eleições: "Não vou dizer que seria horrível não formar Governo".

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