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Pedro Sánchez disse ao rei estar disponível para tentar formar Governo

O líder do PSOE demonstrou esta manhã ao rei da Espanha a disponibilidade dos socialistas para "formar Governo e retirar da situação de bloqueio a democracia espanhola". Felipe VI ouve Mariano Rajoy esta tarde.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 02 de Fevereiro de 2016 às 13:04
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Já se antevia e o próprio confirmou-o. Pedro Sánchez, secretário-geral do PSOE, pretende apresentar-se perante o Congresso espanhol para tentar formar Governo se Mariano Rajoy, primeiro-ministro em funções, recusar essa responsabilidade. Na conferência de imprensa que se seguiu à audição com o rei Felipe VI, que decorreu na manhã desta terça-feira, 2 de Fevereiro, o líder dos socialistas espanhóis anunciou que o PSOE está disposta a "tentar formar Governo e retirar da situação de bloqueio a democracia espanhola e as suas instituições".

 

Todavia, Pedro Sánchez lembra que é ainda muito cedo para assumir a responsabilidade de formar Governo, até porque "o rei ainda não terminou a ronda de consultas. Ainda falta, esta tarde, [ouvir] o presidente do Governo em funções", Mariano Rajoy. O presidente do PP será ainda hoje recebido por Felipe VI, não se sabendo se o líder dos populares aceitará a sua investidura ou se, como há cerca de uma semana e meia, rejeitará assumir essa responsabilidade por considerar que não dispõe do apoio parlamentar necessário. 

 

Por "respeito" ao rei, a Mariano Rajoy e aos procedimentos democráticos previstos na Constituição do reino espanhol, Pedro Sánchez garantiu não ter ainda encetado negociações com nenhum partido. E o líder do PSOE também não se alongou sobre futuras conversações caso o monarca espanhol o incumba de formar Governo, asseverando apenas que falará com "todas as forças políticas, da direita à esquerda".

 

Uma garantia, porém: "Falarei com o PP", disse Sánchez que tem sido acusado por Mariano Rajoy de não ter demonstrado disponibilidade para negociar com os populares. Rajoy defendeu nas últimas semanas um acordo entre os partidos que têm mais a aproximá-los do que a afastá-los, aludindo a uma aliança PP-PSOE-Cidadãos.

 

Apesar das eleições gerais terem sido a 20 de Dezembro último, Espanha continua distante de encontrar uma solução governativa para o país com suporte parlamentar, depois de nenhum partido ter alcançado a maioria e de nenhuma das alianças consideradas prováveis – PP e Cidadãos; ou PSOE e Podemos – se bastar para chegar à maioria.

 

No entanto, para Sánchez a indefinição política resulta do facto de "o PP e o presidente do Governo agora em funções terem feito um exercício de escapismo político, produzindo uma situação de bloqueio". "Rajoy e o PP renunciaram a dialogar" e "em consequência renunciaram apresentar um projecto político aos espanhóis", acusou o líder socialista que logo após as eleições rejeitou apoiar um Executivo liderado pelo PP, rejeição redobrada pelos mais recentes casos de corrupção que envolvem altos quadros do PP da comunidade valenciana.

PSOE recusa pedir apoio a forças independentistas

 

Pressionado quer internamente, com importantes figuras do PSOE a recusarem um acordo com o Podemos, quer por este partido liderado por Pablo Iglesias, que defende um Executivo das esquerdas, Pedro Sánchez assumiu que as divisões no seio do seu partido o preocupam e deixou um recado ao secretário-geral daquele partido de extrema-esquerda: "Fui objecto, por parte do senhor Iglesias, não apenas de desplante mas também de arrogância, e respondi com respeito (…) Para poder há que querer".

 

Sánchez referia-se à proposta de Governo apresentada pelo líder do Podemos ao rei, em que Iglesias propunha ser vice-primeiro-ministro e assegurar importantes pastas ministeriais para o seu partido. Entretanto, Pablo Iglesias colocou de parte integrar uma aliança em que participe também o Cidadãos, posição idêntica à assumida por este partido liberal liderado por Albert Rivera.

 

Perante este cenário, que Sánchez parece não considerar definitivo, o líder do PSOE pede que "deixemos de falar de vetos e comecemos a falar do que podemos fazer unidos". "Esperamos que o resto das forças políticas que representam a mudança se juntem", proclamou já depois de rejeitar entendimentos com partidos soberanistas.

 

"O PSOE não vai procurar o apoio dos independentistas catalães para a minha investidura", particularizou Sánchez que afiança não ter sido o Comité Federal socialista do passado sábado a determinar a impossibilidade de acordos com forças soberanistas, dado que "me impedem as minhas convicções".

 

Apesar da delonga de quase um mês e meio desde as eleições sem que uma alternativa de Governo tenha sido encontrada, o secretário-geral socialista não se mostra impaciente, uma vez que "dissemos desde o princípio que a democracia não tem atalhos". Além de que "aquilo que os espanhóis querem ouvir dos seus políticos é o que podemos fazer unidos", sustentou.

 

Se Felipe VI encarregar o PSOE de formar Governo, Pedro Sánchez diz que haverá uma pergunta a que as outras forças políticas terão de responder, "se apoiam a mudança política que pode ser liderada pelo PSOE", e recorda que "os espanhóis não entenderiam que as forças da mudança não se unissem para produzir essa mudança".

 

A terminar, o líder socialista coloca ainda de parte a possibilidade de novas eleições, defendendo que "a solução passa por os partidos políticos se deixarem de vetos".  

(Notícia actualizada às 13:55)

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