Europa Podemos quer coligar-se à IU para ultrapassar o PSOE e Sánchez mostra-se arrependido

Podemos quer coligar-se à IU para ultrapassar o PSOE e Sánchez mostra-se arrependido

Com os olhos postos nas próximas eleições, o Podemos quer concretizar uma aliança com a Esquerda Unida e afirmar-se como a segunda maior força política espanhola. Já Sánchez arrepende-se de ter chamado "indecente" a Rajoy.
Podemos quer coligar-se à IU para ultrapassar o PSOE e Sánchez mostra-se arrependido
Reuters
David Santiago 27 de abril de 2016 às 19:04

A opção estava em cima da mesa e as conversações já estavam em marcha, mas a esperada decisão do rei Felipe VI, de não indicar nenhum candidato à investidura como primeiro-ministro, assim tornando inevitáveis novas eleições em Espanha, fez com que Podemos e Esquerda Unida (IU, pró-comunista) acelerem o passo com vista à formação de uma coligação pré-eleitoral.

 

Segundo informa o El País esta quarta-feira, 27 de Abril, foi o dirigente da IU, Adolfo Barrena, a confirmar, depois de um encontro mantido na terça-feira com o número três do Podemos, Pablo Echenique, que o partido liderado por Pablo Iglesias (na foto) transmitiu oficialmente a vontade de formalizar uma aliança. Adolfo Barrena notou que a proposta do Podemos passa por negociar um pacto ao nível nacional com a IU. Já Echenique limitou-se a dizer que não há nenhum acordo fechado.


Esta foi uma possibilidade já tentada, mas a sua concretização esbarrou na intenção do Podemos de avançar somente com uma aliança ao nível autonómico, tal como o partido fez em três regiões (Galiza, Catalunha e Valência) com o apoio a candidaturas de confluência. Já a IU pretendia, e mantém essa pretensão, alcançar um acordo a nível nacional.

 

Mas o objectivo de ultrapassar a representação parlamentar do PSOE, imitando o que aconteceu na Grécia onde o Syriza suplantou o Pasok, parece ter permitido ao Podemos ceder face às exigências da IU. Alberto Garzón, cabeça de lista da coligação da IU-UP (Unidade Popular), já havia dado os primeiros passos no início de Abril e, na semana passada, o número três do Podemos, Pablo Echenique, já lembrava que com esta "aliança poderia ultrapassar-se o PSOE".

 

Isto porque se os resultados das eleições de 20 de Dezembro já permitiam a uma hipotética aliança do Podemos, e respectivas confluências (Compromís-És el Moment, En Marea e En Comú Podem), com a IU ficar à frente dos socialistas – 24,4% face aos 22% alcançados pelo PSOE – uma sondagem de 7 de Abril da Metroscopia continua a manter esta eventual coligação (20,8%) como a segunda maior força do quadro político espanhol.

 

Sánchez arrependido e Rajoy optimista

 

O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, numa entrevista hoje concedida à rádio Cope, admitiu estar arrependido de ter chamado "indecente" a Mariano Rajoy, presidente do PP e actualmente primeiro-ministro em exercício. Foi no único frente-a-frente realizado antes das eleições, e único debate em que Rajoy aceitou participar, que Pedro Sánchez insultou o primeiro-ministro alegando os inúmeros casos de corrupção em torno de algumas das figuras mais importantes do PP.

 

"Eu também aprendi com estas eleições. Podia ter utilizado outra expressão. Creio que me equivoquei nesse dia", reconheceu Sánchez que nesse debate ouviu Mariano Rajoy acusá-lo de ser "ruim e mesquinho".

 

Mas a pouco tempo do dia 2 de Maio, data em que termina o período constitucionalmente previsto, desde a primeira investidura falhada, para a formação de Governo, e com novas eleições gerais no horizonte, em princípio a 26 de Junho, a campanha eleitoral já está em curso.

 

E se o Podemos quer roubar votos ao PSOE, Sánchez aponta a mira ao líder deste partido, Pablo Iglesias, a quem acusa de ter "fechado a porta" a um Governo progressista e de ter "dado uma segunda oportunidade a Rajoy". "Triunfou a ala dura do Podemos e perdeu a ala moderada do Podemos, liderada por [Íñigo] Errejón", lamentou Sánchez referindo-se ao número daquele partido que protagonizou recentemente uma polémica interna com Iglesias.

 

Contudo, até às eleições, também Sánchez poderá ter de se ver a braços com um desafio interno, dado ser apontado como provável que Susana Díaz, presidente do Governo autonómico da Andaluzia, venha a desafiá-lo nas primárias do partido que o próprio secretário-geral socialista anunciou para "as próximas semanas".

 

Já Mariano Rajoy aposta na descredibilização do PSOE e, em especial, do Cidadãos de Albert Rivera. Depois de nas últimas eleições ter assistido a uma transferência de votos para este partido de centro, que obteve quase 14%, Rajoy, citado pelo El Mundo, garante que os populares conseguirão recuperar votos, até porque, "por sorte, estes quatro meses serviram para que os espanhóis conheçam melhor [o Cidadãos]".

 

"O Cidadãos tentou que o secretário-geral do PSOE fosse primeiro-ministro", acusou Rajoy. O ainda primeiro-ministro surge respaldado pelas últimas sondagens que apontam para uma tendência positiva do PP.

 

O barómetro de Abril da GAD3 para o jornal conservador ABC, atribui 29,2% das intenções de voto (127 deputados) ao PP, mais quatro assentos parlamentares do que a 20 de Dezembro. Contudo, nesta sondagem também o PSOE sobe dos 90 deputados alcançados em Dezembro para 95 assentos, beneficiando da quebra do Podemos. O Cidadãos também consegue obter mais cinco deputados.




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