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Portugueses são os mais descrentes na Europa sobre o que trará 2011

Gregos, espanhóis e irlandeses fazem uma avaliação tremendamente negativa da actual situação económica e do emprego nos respectivos países, com percentagens a variar entre os 99% e os 97% a qualificá-las de "má" ou "muito má". Mas ninguém como os portugueses se revela tão descrente em toda a UE em relação aos próximos doze meses.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 22 de Fevereiro de 2011 às 11:09
Desde a evolução da economia do país, às finanças familiares, passando pelo mercado de trabalho, a tudo os portugueses respondem, numa proporção recorde, que o pior está ainda para vir, o que revela um acentuado pessimismo no que lhes reserva o futuro mais próximo – em contraciclo com a tendência menos sombrio que é descrita pela média europeia.


Esta é uma das principais conclusões que se podem retirar do mais recente Eurobarometro, que foi hoje divulgado pela Comissão Europeia e a cujos resultados o Negócios teve acesso.



O inquérito foi realizado em Portugal entre 19 e 29 de Novembro do ano passado, um período particularmente conturbado que coincidiu com o pedido de ajuda externa da Irlanda e, ao nível nacional, com a aprovação do mais austero Orçamento de Estado de que há memória, que fez acompanhar uma nova subida de impostos em 2011 de reduções salariais na função pública e do congelamento de pensões, e que juntou, pela primeira vez em 22 anos, UGT e GCTP numa greve geral.

Não obstante a contexto dramático em que o inquérito foi feito, as respostas dos portugueses não são as mais negativas quando se trata de descrever a situação presente, mas quebram todos os recordes quando se lhes é pedido para perspectivarem o ano de 2011.

Apenas 5% considera que a situação económica do país vai melhorar, no que é a mais baixa percentagem entre os 27 países da União Europeia, sendo consideravelmente inferior às expectativas dos espanhóis (20%), dos irlandeses (12%) e até dos gregos (6%), que acabam de entrar no terceiro ano consecutivo de recessão – que, a avaliar pela contracção do PIB português na recta final de 2010, poderá também estar de regresso à economia portuguesa.

No reverso da medalha, a maioria dos portugueses (62%) diz esperar que a economia piore neste ano, o é o dobro da média europeia com a mesma resposta (31%).



Estes resultados são consistentes com as expectativas em relação à evolução das finanças pessoais e à situação do emprego , com os portugueses a voltarem a singularizar-se por serem os que encaram com menor dose de optimismo os próximos 12 meses (ver caixa ao lado).

“Em ambos os indicadores, constata-se um aumento do pessimismo nacional no último ano, em contraste com a tendência europeia”, sublinha o relatório que acompanha os resultados do inquérito que é regularmente realizado ao nível europeu.



Por fim, no que diz respeito à avaliação das condições de vida em geral, apenas 8% dos portugueses se revela optimista em relação ao futuro imediato, uma proporção que volta a ser a mais baixa da UE e bem inferior à média europeia (26 %), realça ainda o relatório.


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