Europa Presidente francês admite estender estado de emergência por seis meses

Presidente francês admite estender estado de emergência por seis meses

O Presidente francês deixou em aberto a possibilidade de estender por mais três meses - além da extensão que será decretada antes de 26 de Julho - o estado de emergência no país por causa do terrorismo. Mas garantiu que os direitos constitucionais não serão tocados.
Presidente francês admite estender estado de emergência por seis meses
Reuters
Paulo Zacarias Gomes 19 de julho de 2016 às 16:01
O Presidente francês admitiu prolongar por mais três meses - num total de seis meses - o actual estado de emergência vigente no país desde os atentados de 13 de Novembro de 2015 no centro de Paris. 

"A minha responsabilidade é prolongar para além de 26 de Julho, por três meses, o estado de emergência, com a possibilidade de mais três meses. É uma medida que nos permitirá fazer investigações", afirmou esta terça-feira, 19 de Julho, François Hollande, no Palácio de Belém, depois de um encontro com o Chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa. 

Em declarações aos jornalistas a meio da curta visita que está a fazer a Lisboa, transmitidas pelas televisões, o governante disse que as dúvidas levantadas aquando do ataque de Nice  - que matou 84 pessoas naquela cidade na quinta-feira passada - sobre eventuais "réplicas" de atentados justificou a decisão de prolongar o estado de excepção. Quando a expectativa inicial era levantar o estado de emergência logo depois de terminado o europeu de futebol e a volta a França em bicicleta.

O Parlamento francês está esta terça-feira a debater o tema e deverá pronunciar-se sobre o prolongamento. Já esta manhã o governo e o Partido Socialista tinham admitido acompanhar a proposta d' Os Republicanos de estender por seis meses o estado de emergência. Este é um estado de crise que permite às autoridades tomar medidas excepcionais em matéria de segurança que são susceptíveis e poder limitar direitos e liberdades dos cidadãos.

Mas a extensão, assegurou, não será feita a custo das garantias dos cidadãos. "Não vou acrescentar medidas às que já existem se não tiver a certeza de que serão necessárias e que não põem em causa as garantias de liberdade do país, que nos colocariam fora da situação do mundo democrático. Isso não", garantiu, afirmando que o seu dever de protecção da "casa que é a França" também inclui a protecção das garantias constitucionais do país.

Já antes Hollande se tinha referido ao apoio recebido das autoridades portuguesas depois do ataque com um camião - "Se há um país onde eu teria de ir para receber solidariedade e amizade seria Portugal," - explicando depois os motivos pelos quais acredita que a França continua a ser palco de atentados.

"Porque a França é a liberdade, é a democracia. Foi em França que nasceu esse grande movimento que se espalhou pelo planeta para dar esperança de igualdade no futuro. Se nos atacam, sabem aquilo que a França representa," justificou, apontando ainda a importância da cimeira de Bratislava, em Setembro, para responder às necessidades da União em termos de segurança, defesa e protecção das fronteiras. Este será o primeiro encontro de alto nível marcado para discutir a UE sem o Reino Unido.

Marcelo agradeceu depois a Hollande ter podido vir a Portugal no meio da "situação complexa difícil vivida em França" e disse que os portugueses "partilham a dor pelo bárbaro atentado de Nice."

Depois do ataque, o Presidente francês cancelou as deslocações previstas à Áustria, Eslováquia e República Checa, mas manteve a deslocação a Portugal, ainda que encurtada, bem como à Irlanda, na quinta-feira. 

(Notícia actualizada às 16:13 com mais informação)




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