Europa PS, PSD e CDS querem saída rápida do Reino Unido. PCP e Bloco perguntam "qual é a pressa"

PS, PSD e CDS querem saída rápida do Reino Unido. PCP e Bloco perguntam "qual é a pressa"

PS, PDS e CDS-PP alinhados votaram a favor uma resolução do Parlamento Europeu a pedir urgência no processo de saída do Reino Unido. Do outro lado, PCP e BE recusam tanta pressa. Marinho e Pinto absteve-se.
PS, PSD e CDS querem saída rápida do Reino Unido. PCP e Bloco perguntam "qual é a pressa"
Reuters
Filomena Lança 28 de junho de 2016 às 16:37

"Sair primeiro e negociar depois." O ritmo deve ser esse e é por isso que, justifica Carlos Zorrinho, votou favoravelmente a resolução na qual esta terça-feira, 18 de Junho, o Parlamento Europeu pediu urgência e a "aplicação imediata" do processo de saída do Reino Unido da União Europeia. Tal como ele, também os restantes eurodeputados socialistas integrados no grupo parlamentar Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu (PE)votaram a favor. A resolução, apresentada na sessão extraordinária convocada para discutir o Brexit, teve igualmente o apoio dos eurodeputados portugueses que integram o Grupo do Partido Popular Europeu, leia-se, os eleitos pelo PSD e pelo CDS-PP. 

Do outro lado, estiveram os representantes do PCP e do Bloco de Esquerda, que votaram contra. Já Marinho e Pinto, que integra o Grupo da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa, optou pela abstenção.

Se tanto uns como outros admitem que o processo tem de avançar, uma vez que foi essa a vontade do povo do Reino Unido democraticamente expressa, já a opção sobre o ritmo e os passos a tomar para que a saída se concretize estão a dividir as hostes. "É preciso que o Reino Unido accione a cláusula de saída para depois se iniciarem as negociações", sustenta Zorrinho. Se assim não for, "abre-se uma caixa de pandora para outros países conseguirem ganhos de causa", alerta o eurodeputado. Ainda assim, acrescenta, "sem precipitações e evitando qualquer tipo de discurso que possa parecer de vingança".

E no entanto, é precisamente isso que está a acontecer, na opinião de Marisa Matias. A eurodeputada do Bloco de Esquerda pede, pelo contrário, "calma e razoabilidade" e considera que "a resolução do PE é quase uma espécie de castigo ao povo britânico, além de que insiste nas razões que levaram ao Brexit e que em geral estão a levar à desagregação da Europa".

Ao seu lado votou João Ferreira, do PCP, que tem uma posição idêntica: "Esta resolução indicia os piores propósitos sobre o futuro e a postura relativamente ao povo do Reuno Unido" e "quem a propõe não tirou nenhuma lição crise que a Europa atravessa e que tanto pesou" na opção pelo Brexit. "Esta resolução faz lembrar aquela orquestra que continua a tocar enquanto o navio se afunda e pode vir a ter consequências muito gravosas", considera.  

 

Saída em passo acelerado?

A resolução foi votada no final da sessão e o Parlamento Europeu aprovou-a com 395 votos a favor, 200 contra e 71 abstenções. O apoio veio dos principais grupos – populares, socialistas, liberais e verdes. Basicamente, propõe iniciar o processo de saída do Reino Unido o mais rápido possível. Nuno Melo, que votou favoravelmente, faz no entanto questão de dizer que não tem "uma posição totalmente alinhada", até porque, no seu entender, "as circunstâncias políticas podem ainda evoluir no sentido de uma reavaliação" de todo o processo de saída. Afinal, sublinha, há que ter em linha de conta "a posição de quem estava a favor da permanência na UE, a Escócia e a Irlanda do Norte", e, em geral, "de quase metade dos britânicos que votaram".

O eurodeputado eleito pelo CDS lembra que "na Escócia fazem-se estudos para vetar a decisão referendada" pelo que talvez seja prematuro "dar como certa a saída do Reino Unido como um todo". Na sua opinião, "esta resolução é um sinal, que a UE tem de dar", mas daí até haver mesmo uma saída acelerada vai ainda alguma distância. Até porque, lembra, o Parlamento Europeu não pode propriamente obrigar o Reino Unido a accionar o artº 50.

Se não pode, é isso que está a tentar fazer, lamenta, por seu turno, João Ferreira. E compressões "inadmissíveis", por exemplo, "quando diz que não deverá haver nenhuma nova relação entre o Reino Unido e a UE enquanto decorrer o processo de saída". Para o eurodeputado comunista estes "são elementos de chantagem" de quem não percebeu, afinal, o que correu mal.

Contemporizador, Carlos Zorrinho remata: "Compreendemos que se alguém saiu, não estava contente e que há erros que têm sido cometidos e que têm de ser corrigidos". E a negociação com o Reino Unido no processo de saída deverá ser aproveitada também para isso. 

Não foi possível, até ao momento, contactar o eurodeputado Paulo Rangel, do PSD, que também votou favoravelmente e ao qual o Negócios pediu um comentário sobre a opção do seu partido perante a resolução do Parlamento Europeu.

Refira-se, no entanto, que também esta terça-feira, 28, em declarações aos jornalistas em Bruxelas, à margem da cimeira do Partido Popular Europeu, Passos Coelho criticou a atitude de punição do Reino Unido pela decisão de saída da União Europeia validada em referendo e defendeu que a Europa deve procurar um entendimento com Londres que mantenha a economia britânica mais próxima do Velho Continente.

"Castigar os britânicos como uma espécie de vacina para que outros países não sigam o mesmo caminho é o caminho mais directo para que isso possa acontecer", afirmou o líder social democrata. 




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