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PSOE venceu e Vox surpreendeu na Andaluzia, mas é o Cidadãos a decidir

A extrema-direita é a principal vencedora das eleições andaluzas, é o Cidadãos a força indispensável a qualquer solução maioritária de governo. Albert Rivera quer replicar este efeito ao nível nacional.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 03 de Dezembro de 2018 às 18:45
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Olhar apenas para os resultados finais não diz tudo sobre quem realmente venceu e perdeu as eleições do passado domingo na Andaluzia. E diz ainda menos sobre os pactos que podem, ou não, ser feitos para governar a região.

Com 47 mandatos, o PSOE foi o partido mais votado, contudo perdeu 14 deputados, o que significa que foi a força mais penalizada face a 2015. Como pela primeira vez desde a transição democrática o PSOE corre o risco de não governar a Andaluzia, significa que foi o maior derrotado.

Também do lado dos perdedores surge a aliança Adelante Andalucía (Unidos Podemos e ecologistas), que ao garantir 17 assentos no parlamento regional ficou a dois da soma alcançada há quatro anos por aquele conjunto de partidos.

À direita, o PP foi a segunda força mais votada (26 deputados) mas também perdeu  sete mandatos. Os grandes vencedores foram mesmo o Vox (extrema-direita) que se estreia em parlamentos regionais com 12 deputados eleitos e o Cidadãos que passa de nove para 21 mandatos.

 

Política de alianças

Esgotado também na Andaluzia o bipartidarismo, ganha força a aritmética parlamentar. Dada a recusa do Cidadãos em reeditar a coligação com o PSOE que governou a Andaluzia nos últimos quatro anos, a direcção nacional socialista tenta afastar Susana Díaz, líder do governo antonómico, e assim tentar convencer o partido de Albert Rivera. Porém, para já, Diáz rejeita afastar-se. Seja como for, PSOE e Cidadãos juntos não têm maioria absoluta.

Tendo ainda em conta que PSOE e PP juntos no governo andaluz é um cenário impraticável, sobra um cenário de aliança de todo o campo da direita.

Juanma Moreno e Juan Marín, respectivamente candidatos do PP e Cidadãos ao governo local, sinalizam querer governar e nenhum põe de parte fazê-lo em coligação ou apoiado no parlamento regional  pelos 12 deputados do Vox de Francisco Serrano.

O Cidadãos afirma-se como partido charneira no pós-eleições, o partido indispensável a qualquer solução maioritária. Com olhos postos em eleições gerais e a querer replicar este efeito ao nível nacional, Rivera avisa o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez que os andaluzes já lhe viraram as costas e que a seguir serão todos espanhóis.

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