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Quanto custaria voltar a ter fronteiras na Europa? Até 18 mil milhões de euros

Travar a entrada de refugiados não tem apenas um custo político. Entre demorar mais tempo a chegar ao trabalho, atrasos na entrega de mercadorias e mais gastos para o Estado, voltar a ter controlos fronteiriços no Espaço Schengen teria um custo significativo para a Europa.

Reuters
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 03 de Maio de 2016 às 18:18
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É mais do que aquilo que a Segurança Social portuguesa gasta todos os anos com pensões. O custo directo de voltar a criar controlos fronteiriços no seio do Espaço Schengen pode atingir os 18 mil milhões de euros. E nem sequer estão aqui contabilizados os custos indirectos. Caso contrário, este valor até poderia triplicar. 

 

As conclusões estão numa caixa do relatório das Previsões de Primavera, publicadas hoje pela Comissão Europeia. A reacção dos países europeus ao fluxo de refugiados deixa Bruxelas preocupada com a possibilidade de voltarmos a ter controlos fronteiriços dentro do Espaço Schengen. No actual ambiente em que são criados controlos temporários por alguns Estados- membros, os técnicos comunitários propõem-se a estimar o impacto de uma reintrodução permanente de controlos fronteiriços. Partindo do princípio que os custos políticos também são muito elevados, até onde poderiam ascender os custos económicos?

 

"Os custos directos de um cenário hipotético de reintrodução permanente e sistémica de controlos fronteiriços seriam significativos para os trabalhadores e viajantes europeus que atravessam fronteiras, para o transportes rodoviário de mercadorias e para a Administração Pública e variariam entre menos de 5 e 18 mil milhões de euros por ano", pode ler-se no relatório da Comissão. Por comparação, este ano o Governo português espera gastar 15,8 mil milhões de euros em pensões da Segurança Social.

 

A maior fatia dos custos viria do transporte terrestre, que sofreria com mais trânsito e atrasos. Se as viagens passarem a demorar mais trinta minutos a duas horas, o custo para o transporte de mercadorias variaria entre 1,7 e 7,5 mil milhões de euros por ano.  

 

Quanto à mobilidade, todos os dias 1,7 milhões de trabalhadores atravessam fronteiras para ir trabalhar e todos os anos há mil milhões de viagens dentro do Espaço Schengen. Os técnicos da Comissão assumem um atraso entre 7,5 e 30 minutos nas viagens para chegar a um custo anual entre 1,3 e 5,2 mil milhões de euros.

 

Por último, novos controlos na fronteira, teria também custos para o Governo de cada país. O impacto nas contas públicas poderia variar entre 0,6 e 5,8 mil milhões de euros, dependendo da metodologia utilizada no cálculo. Aquela que aponta para um valor mais baixo aplica o custo médio de uma hora trabalhada na União Europeia (18,5 euros) ao tempo que demoraria a processar todas as pessoas e veículos (1,5 a 6 minutos por passageiro e 4 a 16 minutos por camião).

 

No entanto, estes valores dizem apenas respeito a custos directos. A Comissão Europeia cita estudos que, apesar das fragilidades metodológicas, permitem concluir que o impacto indirecto poderá ser muito superior: antecipa-se um aumento entre 1% a 3% do preço das importações. Um choque dessa magnitude representaria uma perda de 0,2% a 0,5% do PIB da Zona Euro até 2025: 20 a 55 mil milhões de euros. Cerca de um terço da economia portuguesa.

Estes são os custos que se podem traduzir em euros. Mas Bruxelas avisa que o impacto negativo pode ser mais abrangente do que isso. "Para além da quantificação aqui proposta dos custos potenciais de repor os controlos fronteiriços, a "livre circulação de pessoas" é vista pelos cidadãos da União Europeia como uma das mais importantes conquista da UE", refere a Comissão. "A introdução de controlos fronteiriços permanentes arrisca minar a reputação da UE de ser capaz de responder a desafios comuns, que podem ter consequências negativas mais abrangentes para a confiança dos consumidores e dos investidores."

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