Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Rajoy quer flexibilizar défice e recorre a Portugal para falar dos riscos de Governo de esquerda

O primeiro-ministro espanhol concorda com Cidadãos e PSOE sobre a necessidade de adiar a redução do défice para menos de 3%. Rajoy avisa para os riscos de um Governo radical e exemplifica com o caso português.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 11 de Fevereiro de 2016 às 14:16
  • Assine já 1€/1 mês
  • 12
  • ...

Os três partidos do quadro parlamentar espanhol considerados moderados estão ainda longe de um hipotético acordo. Mas já há pontos de contacto. PP, PSOE e Cidadãos estarão apostados em defender, junto de Bruxelas, a flexibilização das metas definidas para o défice orçamental.

 

No final do encontro que decorreu esta quinta-feira, 11 de Fevereiro, entre Mariano Rajoy, presidente do PP, e Albert Rivera, o líder do Cidadãos revelou que o primeiro-ministro em funções está de acordo com a necessidade de flexibilizar a meta para a redução do défice público.

 

"É preciso acordar uma posição conjunta ante Bruxelas, que independentemente de quem governe Espanha [assegure que] vai cumprir o défice, mas necessitamos de flexibilidade para fazer reformas e não apenas mais cortes e subidas de impostos", disse Rivera depois da reunião com Rajoy.

 

Mas se esta posição de Rivera não é propriamente uma novidade, sabendo-se que este é, inclusivamente, um objectivo partilhado com o PSOE, o dado novo passa pelo facto de também Mariano Rajoy estar disposto a adiar a saída do procedimento por défices excessivos e a obtenção de um défice orçamental inferior a 3% para 2017.

 

"Estou absolutamente convencido de que em relação aos países que levam [os compromissos a sério], a União Europeia actua com flexibilidade e inteligência", considerou Mariano Rajoy que sublinha a importância de assegurar estabilidade orçamental porque "é isso que nos torna livres".

 

Nas negociações em curso do PSOE com os restantes partidos com assento parlamentar, tendo em vista a formação de Governo, o secretário-geral socialista, Pedro Sánchez, tem apresentado um documento onde surge precisamente esta condição previamente consensualizada com o Cidadãos.

 

O objectivo passa por baixar o défice para menos de 3% em dois anos e não em um, adiando para 2017 a meta de um défice face ao PIB de 2,8%, o que permitiria a Espanha implementar as reformas estruturais ainda por fazer. Albert Rivera explicitou que esta posição comum de PP, PSOE e Cidadãos "é muito importante para o futuro da legislatura".

 

Já Mariano Rajoy, que tem insistido na importância de Espanha encontrar uma solução governativa credível e que assentou a sua mensagem eleitoral no sucesso das reformas feitas no país a seguir à crise, recorda ser fundamental assegurar a manutenção da estabilidade orçamental. Contudo, o líder do PP também lembrou que Espanha já conseguiu negociar metas para o défice mais flexíveis noutras ocasiões e sublinhou que não se devem deitar por terra os esforços de consolidação orçamental feitos pelo seu Executivo.

 

Como tal, e apesar de ter rejeitado a responsabilidade de formar Governo proposta pelo rei Felipe VI, por considerar não dispor de apoio parlamentar suficiente, Mariano Rajoy insiste que só uma aliança liderada pelo PP transmitirá uma verdadeira mensagem de confiança aos agentes económicos.

 

Na passada quarta-feira o ainda chefe do Executivo espanhol apresentou um conjunto de cinco pilares sob os quais deveria assentar uma grande coligação PP-PSOE-Cidadãos. Já esta quinta-feira, Rajoy sustentou que esta proposta representa "uma alternativa clara, entendível, democrática e idêntica ao que acontece na maioria dos países europeus".

 

É possível que o ainda ministro das Finanças espanhol, Luis de Guindos, aproveite a sua presença em Bruxelas esta quinta-feira, onde se reúne o Eurogrupo, para averiguar da disponibilidade de Bruxelas para vir a facilitar esta intenção de Madrid. Esta manhã, Rajoy recordou que também França beneficiou de termos mais flexíveis para o défice nominal.

 

Rajoy quer evitar solução "radical" e dá Portugal como exemplo

 

Numa altura em que é Pedro Sánchez o detentor da responsabilidade de se apresentar perante o Congresso (equivalente à Assembleia da República) para tentar ser investido como primeiro-ministro, sabendo-se que o líder socialista, apesar de querer dialogar com todos os partidos, rejeita aliar-se ao PP, Mariano Rajoy continua a avisar para os perigos de um "Governo radical" em Madrid, aludindo a uma aliança entre PSOE e Podemos com apoio dos pequenos partidos nacionalistas.

 

"Seria um Governo radical", atirou o chefe do Executivo espanhol que lembra o caso português, onde o risco da dívida subiu esta semana para o nível mais elevado desde a presença da troika no país, para explicar que isso seria "o pior que poderia acontecer aos espanhóis".

 

O primeiro-ministro espanhol nota que seria difícil viver com taxas de juro como aquelas que são exigidas pelos investidores para comprar dívida pública portuguesa. E também por isso, Mariano Rajoy avisa que na próxima sexta-feira, dia agendado para a reunião com Pedro Sánchez, vai explicar os intentos dos populares ao líder socialista, fazendo-lhe ver as vantagens de uma aliança moderada para a próxima legislatura. No fundo Rajoy mantém a intenção de formar uma coligação entre os partidos que têm mais a uni-los do que a separá-los.  

 

Pelo seu lado, Albert Rivera surge optimista. "Há um elo comum entre PSOE, Cidadãos e PP", regozija o líder do Cidadãos que também quer um acordo ao centro para governar Espanha, lembrando que "sempre defendemos que o PP e os seus eleitores são necessários para qualquer tipo de acordo nesta legislatura".

Ver comentários
Saber mais Espanha Mariano Rajoy Albert Rivera Pedro Sánchez Felipe VI Bruxelas Défice União Europeia PP PSOE Cidadãos Podemos Eurogrupo Luis de Guindos
Mais lidas
Outras Notícias