Europa Rei de Espanha decidiu não iniciar "para já" nova ronda de consultas aos partidos

Rei de Espanha decidiu não iniciar "para já" nova ronda de consultas aos partidos

Depois de se reunir com o presidente do Congresso espanhol, Felipe VI decidiu não iniciar, "para já", uma nova ronda oficial de consultas aos partidos com assento parlamentar. O monarca prefere que os partidos negoceiem primeiro entre si.
Rei de Espanha decidiu não iniciar "para já" nova ronda de consultas aos partidos
Jorge Dan Lopez/Reuters
David Santiago 07 de março de 2016 às 13:07

Não haverá novas conversações entre os partidos com assento parlamentar e o rei de Espanha, Felipe VI. Pelo menos "para já". Foi esta a decisão, tomada esta segunda-feira, 7 de Março, pelo monarca espanhol logo após a reunião mantida durante a manhã com Patxi López, presidente do Congresso espanhol (equivalente à Assembleia da República).

 

Esperava-se que esta semana Felipe VI iniciasse uma nova ronda de auscultação aos partidos que, nas eleições gerais de 20 de Dezembro último, conseguiram garantir representação parlamentar. Assim, antes de avançar para aquela que será já a terceira ronda de consultas aos partidos, o monarca espanhol parece preferir que os partidos avancem com negociações entre si.

 

Felipe VI não quer correr o risco de ver recusado um novo convite à formação de Governo ou de a investidura de um candidato ser novamente chumbada. Isto depois de Mariano Rajoy, presidente do PP e primeiro-ministro ainda em funções, ter rejeitado essa responsabilidade por considerar que não dispunha dos apoios necessários à sua investidura, e de, na passada sexta-feira, o secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, ter sido o primeiro candidato a falhar a investidura desde a transição democrática espanhola.  

"Sua majestade comunicou ao senhor presidente do Congresso a sua decisão de não iniciar, para já, novas consultas aos representantes designados pelos grupos políticos com representação parlamentar, de forma a que as formações políticas possam levar a cabo as acções que considerem convenientes ao previsto no artigo 99 da Constituição", pode ler-se num comunicado emitido pela casa real espanhola. Felipe VI, que pondera ainda vir a Portugal na próxima quarta-feira, para assistir à tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República, prefere assim dar tempo aos partidos. 

Depois de na passada quarta-feira terem começado a contar os 60 dias previstos pela Constituição como tempo limite para a formação de um Governo, período findo o qual o rei tem de dissolver as cortes e agendar novas eleições gerais, é novamente tempo para os partidos encetarem conversações. Sendo que ainda antes de a investidura de Sánchez ter sido chumbada, pela segunda vez, na sexta-feira, tanto o PP como o Podemos já haviam sinalizado vontade de regressarem à mesa de negociações com os socialistas. 

Contudo, apesar de Rajoy ter convidado Pedro Sánchez para uma reunião a dois, o líder socialista já fez saber que só conversará com o ainda primeiro-ministro se acompanhado por Albert Rivera, líder do Cidadãos, com quem estabeleceu o "acordo de legislatura" tendo em vista a formação de um "Governo progressista", solução rejeitada pelo Congresso. No entanto, este não deverá ser um factor impeditivo das conversações entre populares e socialistas, até porque a "grande aliança" proposta por Mariano Rajoy incluía os três partidos considerados moderados: PP, PSOE e Cidadãos. 

Em entrevista publicada esta segunda-feira pelo jornal conservador ABC, Rajoy já disse que se Sánchez "quer vir com Rivera, que venha", embora avise que considera uma "fraude" que PSOE e Cidadãos continuem a comportar-se como se tivessem vencido as últimas eleições. O PP foi o partido mais votado no último acto eleitoral. E avisa ainda que "Sánchez não pode continuar a bloquear [a formação de um] Governo de Espanha".

O líder do PSOE já respondeu e, também citado pelo ABC, avisa que que "Rajoy pode chamar-me as vezes que queira, mas não para que eu o apoie a ele", e recorda ser, neste momento, apoiado por 131 deputados (90 do PSOE, 40 do Cidadãos e a deputada da Coligação Canária), que é mais do que os 123 assentos alcançados pelos populares, um partido que se apresenta cada vez mais isolado, especialmente depois do afastamento decretado por Albert Rivera que garantiu que Rajoy nunca poderá personalizar a mudança que a política espanhola precisa. 

Mas se Rajoy rejeita incluir o Podemos nas negociações com o PSOE e o Cidadãos, aquele partido liderado por Pablo Iglesias, que pretende voltar a tentar negociar um Governo das esquerdas com o PSOE, já avisou que não se sentará à mesma mesa com o Cidadãos. Todavia, Sánchez recusa deixar cair o Cidadãos e o acordo firmado com Rivera. Continua assim a não se vislumbrar nenhuma solução governativa no horizonte.


(Notícia actualizada às 13:33)




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