Europa Reunião entre Sánchez e Iglesias deixa Espanha mais próxima de "Governo de mudança"

Reunião entre Sánchez e Iglesias deixa Espanha mais próxima de "Governo de mudança"

Apesar de afastadas as rejeições prévias, Iglesias quer um Governo das esquerdas e Sánchez não prescinde do acordo com o Cidadãos. Mas o líder socialista garante "hoje" estar "mais próximo deste governo de mudança".
Reunião entre Sánchez e Iglesias deixa Espanha mais próxima de "Governo de mudança"
Reuters
David Santiago 30 de março de 2016 às 13:59

"Com todas as cautelas e dificuldades, hoje estamos mais próximos deste Governo de mudança e mais longe de repetir as eleições", proclamou o secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, no final do encontro mantido na manhã desta quarta-feira, 30 de Março, com o líder do Podemos, Pablo Iglesias.

Mas esta maior proximidade de acordo tem ainda várias arestas por limar. Desde logo, a base de compromisso que sustente o próximo Executivo. "A questão é como materializamos este Governo? É onde está a discrepância com o partido de Iglesias", admitiu Pedro Sánchez que ainda assim considera tratar-se de "uma discrepância que podemos superar".


Pablo Iglesias aposta na "via 161", que é o mesmo que dizer um Governo das esquerdas com o suporte parlamentar dos 161 deputados do PSOE, Podemos e Esquerda Unida. Só que Iglesias, que agora aceita negociar com o Cidadãos e também prescindir de pastas ministeriais num eventual Governo do PSOE, sabe que 161 deputados não são suficientes para garantir a investidura de Pedro Sánchez como primeiro-ministro. Como tal, quer aproveitar a "boa relação" entre PSOE e Cidadãos para viabilizar um Governo das esquerdas. "Pensamos que a abstenção ou o voto a favor do Cidadãos seria razoável", diz Iglesias.

 

Contudo, como já ontem fora reafirmado no final da reunião com o líder do Cidadãos, Albert Rivera, Sánchez não abdica do "acordo de legislatura" assinado com este partido, até porque Sanchez afiança ser "um homem de palavra", pelo que o secretário-geral socialista defende a via dos 199 deputados, que é a soma dos parlamentares do PSOE, Podemos e Cidadãos.

 

"A única opção é que estas três forças políticas se juntem", atirou Sánchez, que avisa desde já o Podemos de que "qualquer acordo que se construa nas próximas semanas tem de respeitar o já construído com o Cidadãos".

Depois dos galhardetes e acusações várias trocados entre Sánchez e Iglesias nas últimas semanas, a conversa entre os líderes dos segundo e terceiro maiores partidos de Espanha, e que começou com um passeio, decorreu num "tom cordial" segundo ambos disseram.

 

Esta "mudança de atitude" do líder do Podemos é para Sánchez "uma boa notícia para Espanha e para as forças de esquerda", até porque, sublinha o líder socialista, "partilhamos vários objectivos: não queremos repetir as eleições e queremos pôr fim ao Governo de Mariano Rajoy".

Sánchez e Iglesias apostados em alcançar um acordo.
Sánchez e Iglesias apostados em alcançar um acordo.
Reuters

 

O próprio Pablo Iglesias confirmou uma nova atitude: "Estou disposto a reunir-me com Rivera" - a quem pede colaboração para "desalojar o PP" do poder. Resta agora à equipa negocial do PSOE tentar conciliar nas negociações a três – PSOE, Podemos e Cidadãos – cumprir aquilo que nas eleições gerais de 20 de Dezembro os espanhóis pediram, "que nos entendamos, que as forças que representam a mudança se entendam", diz Pedro Sánchez que realça que "os espanhóis não depositaram a sua confiança num bloco de esquerda, nem de direita".

 

Fazer do Parlamento o motor do Governo

 

Sob o pressuposto de que "a mudança política em Espanha só pode construir-se com base nas forças políticas que representam a mudança", Pedro Sánchez considera que "a notícia de hoje é que o senhor Iglesias e o Podemos disseram sim a entrar na negociação com o PSOE e o Cidadãos".

 

Passo indispensável à criação de um "Governo parlamentário" em que, um pouco à imagem do que sucedeu em Portugal depois das últimas eleições, o Parlamento seja o "verdadeiro motor" da acção executiva. Assim, Pedro Sánchez espera que PSOE, Podemos e Cidadãos possam "nesta mesa a três" acordar as medidas comuns e levar ao Congresso (equivalente à Assembleia da República) as "medidas em que discordemos".

 

A finalizar, o líder socialista deixou um recado a Iglesias dizendo que está enganado "se pensa que o PSOE pode apoiar o PP" e esclareceu que a questão da Catalunha não será um entrave decisivo a um acordo entre as três forças políticas. Porque, garante Sánchez, "dos quatro maiores partidos, [PSOE, Podemos e Cidadãos], três defendem a reforma constitucional". 

(Notícia actualizada às 14:50)




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