Europa “Salvámos os bancos mas estamos a correr o risco de perder uma geração”

“Salvámos os bancos mas estamos a correr o risco de perder uma geração”

Martin Schulz, o presidente do Parlamento Europeu, está preocupado com o esquecimento a que está a ser deixada a mais jovem geração da União Europeia. "Somos campeões nos cortes mas temos uma ideia menos feita do que fazer para estimular o crescimento", afirmou o político alemão em entrevista à Reuters.
“Salvámos os bancos mas estamos a correr o risco de perder uma geração”
Diogo Cavaleiro 11 de março de 2013 às 14:06

“Na Grécia, em Espanha, na Itália temos, talvez, as gerações melhor formadas de sempre. Os pais investiram imenso dinheiro na formação das suas crianças. Tudo o que fizeram estava certo. E, agora que [essas gerações jovens] estão prontas para trabalhar, a sociedade diz-lhes: ‘Não há lugar para vocês’. Estamos a criar uma geração perdida”.

 

As considerações são feitas por Martin Schulz, o presidente do Parlamento Europeu, numa entrevista publicada esta segunda-feira, 11 de Março, pela agência de informação Reuters.


Schulz defende que uma das grandes ameaças à frente da União Europeia é a possibilidade de se perder a confiança de que o espaço comunitário seja capaz de resolver os seus problemas. Um dos perigos é que seja a geração mais jovem a perder essa confiança.

 

É neste sentido que o político alemão afirma que há um sério risco de se perder uma geração – algo que Martin Schulz tinha já declarado em entrevistas anteriores. Mais uma vez, comparou os jovens à banca, através de uma pergunta feita por uma jovem espanhola por si citada.

 

“Ela efectivamente colocou-me a seguinte questão: ‘Vocês, que deram 700 mil milhões de euros para o sistema bancário, quanto dinheiro têm para mim? E qual foi a minha resposta? Se temos 700 mil milhões de euros para estabilizar o sistema bancário, temos de ter, pelo menos, o mesmo montante para a geração jovem em tais países”, contou à Reuters o presidente do Parlamento Europeu, a única instituição da UE que é eleita directamente, conforme sublinha a agência.

 

“Salvámos os bancos mas estamos a correr o risco de perder uma geração”, disse. Uma das acusações feitas pelos críticos da austeridade é, precisamente, a injecção de dinheiro para a banca, sem que haja uma atenção ao impacto social das medidas de austeridade impostas na economia. A taxa de desemprego em países periféricos, tal como em Portugal, tem registado máximos históricos, sendo que a porção mais jovem da população tem sido a mais afectada. Ao mesmo tempo, as economias têm contraído.

 

“Somos campeões nos cortes mas temos uma ideia menos feita do que fazer para estimular o crescimento”, disse Martin Schulz. Em Janeiro, o comissário europeu para o Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão, Laszlo Andor, tinha já alertado para a possibilidade de a Europa perder uma geração se não adoptar medidas para a criação de emprego.




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