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Salvini será julgado por sequestro de migrantes após Senado levantar imunidade

A câmara alta do parlamento italiano votou a favor do levantamento da imunidade do ex-ministro do Interior e líder da Liga. Matteo Salvini é acusado de sequestro depois de ter recusado, durante três dias, o desembarque de 131 migrantes resgatados pelo navio militar Gregoretti.

EPA
David Santiago dsantiago@negocios.pt 12 de Fevereiro de 2020 às 15:48
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Matteo Salvini vai ter de se avir com a justiça italiana depois de, esta quarta-feira, 12 de fevereiro, o Senado do parlamento transalpino ter votado favoravelmente o levantamento da imunidade do líder da Liga, que assim arrisca ser julgado pelo sequestro de migrantes. Sem receio, o ex-vice-primeiro-ministro garante que o processo será "arquivado". 


O Senado autorizou o processo contra Salvini que ficou conhecido como caso Gregoretti, o nome da embarcação militar que resgatou 131 migrantes ao largo do Mediterrâneo, impedidos pelo então ministro do Interior de desembarcar em solo italiano durante quase uma semana. 

A decisão dos senadores passa a bola ao procurador de Catania, Carmelo Zuccaro, que, segundo escreve o Corriere della Sera, é o mesmo magistrado que pediu o arquivamento da investigação por considerar que a decisão de Salvini não consagra nenhum rapto. 

Contrariamente ao entendimento do tribunal de Catania, os senadores consideraram que o impedimento de desembarque constitui uma violação legal da parte do líder da extrema-direita transalpina. 

Indiferente a esta votação que decorreu no Senado, Salvini mantém-se fiel à agenda anti-imigração que está na base do apoio eleitoral que hoje faz da Liga o partido que lidera confortavelmente as intenções de voto. É que Itália, a par da Grécia, é o país mais fustigado pelos fluxos migratórios oriundos do Médio Oriente e do Norte de África, pois devido à posição geográfica constitui uma das principais portas de entrada na Europa.

"É um dever que sinto pelo meu país e pelos meus filhos. A Constituição prevê a defesa das fronteiras. Não era um direito meu, era um dever", afirmou Salvini aos jornalistas, citado pelo La Stampa. 
Além deste caso judicial, Matteo Salvini é também acusado por ter rejeitado que desembarcassem em território italiano os 177 migrantes resgatados pela Guarda Costeira transalpina, um desembarque que foi ditado pelo próprio Senado quando a Liga ainda estava no governo de coligação com o anti-sistema Movimento 5 Estrelas.

Já o processo relativo ao impedimento de desembarque dos 161 migrantes a bordo da embarcação da organização não governamental (ONG) Open Arms será avaliado no final deste mês, podendo o mesmo dar origem a nova acusação. 
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