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Sánchez prefere governar sozinho mas não tem "medo" de coligação com o Podemos

A poucas horas de se reunir com o líder do Podemos, o secretário-geral do PSOE explicou que não tem "medo" de um Governo com o Podemos, mas disse preferir governar sozinho mediante acordos parlamentares pontuais.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 05 de Fevereiro de 2016 às 14:46
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Quando ainda faltam algumas horas para o encontro da tarde desta sexta-feira, 5 de Fevereiro, entre os líderes do PSOE e do Podemos, a troca de palavras entre Pedro Sánchez e Pablo Iglesias começou pela manhã. Mas, para já, mais do que conciliadores, os argumentos utilizados de parte a parte consistem numa demarcação de território.

 

O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, assumiu esta manhã, em entrevista à Cadena Ser, que "não me dá medo um Governo com o Podemos", avisando porém que tal Executivo teria de "garantir a estabilidade económica, a unidade de Espanha e não cair na tentação de frentismos".

 

No entanto, Sánchez diz preferir liderar um Governo unicamente do PSOE, seguindo uma fórmula idêntica à formalizada em Portugal pelo PS com apoio parlamentar de outros partidos. O líder socialista preferiria governar sozinho, mesmo que em minoria, com base em acordos pontuais estabelecidos com os partidos disponíveis a assumir compromissos programáticos com o PSOE.

 

Todavia, Pedro Sánchez assegura não descartar um Governo de coligação "com mais de um partido". "Estou aberto a uma coligação produto de um programa de Governo compacto", afirmou. Razão pela qual "temos de olhar para a esquerda e para a direita", avisou o secretário-geral socialista que, desde que aceitou a responsabilidade de formar Governo atribuída na terça-feira passada pelo rei Felipe VI, disse que iria negociar com todos os partidos representados no Congresso espanhol (equivalente à Assembleia da República).

Iglesias mantém rejeição ao Cidadãos

 

Como tal, Sánchez não fecha a porta a nenhuma das possibilidades governativas que se apresentam num horizonte para já ainda longínquo, nem um Governo de coligação, nem um de minoria. Só que as palavras já hoje enunciadas por Sánchez colidem com os avisos entretanto deixados pelo secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, num programa da TVE. Iglesias mantém a rejeição de integrar uma solução governativa em que também participe o Cidadãos – recusa partilhada por este partido liberal liderado por Albert Rivera – e avisa que o PSOE terá de "aclarar" de uma vez por todas com quem pretende estabelecer negociações.

 

"Não faz sentido estabelecer duas fórmulas negociais em paralelo, para dois governos distintos", considerou Pablo Iglesias que anunciou que irá "pedir ao PSOE que escolha". O líder do Podemos defende que será "bom para um país um Governo de coligação", mas garante que os projectos políticos do Podemos e do Cidadãos são "incompatíveis", pelo que Iglesias apenas concebe uma aliança das esquerdas.

 

Sánchez "não gosta" da falta de confiança

 

O objectivo do Podemos ficou claro quando, no encontro de há precisamente duas semanas com Felipe VI, Pablo Iglesias apresentou ao monarca espanhol uma proposta de Governo de aliança entre este partido de extrema-esquerda e o PSOE, num elenco em que este politólogo assumiria a função de vice-primeiro-ministro.

 

Só que Pedro Sánchez, apesar de admitir a possibilidade de uma aliança com o Podemos, já lançou críticas. "Não gosto que o Iglesias diga que se quer incorporar no meu Governo porque não confia em mim. Não gosto disso", atirou esta manhã o líder socialista.

 

Apesar do agora aparente apoio interno proclamado esta semana por importantes figuras do PSOE, como é o caso de Susana Díaz, presidente da região autonómica da Andaluzia, às negociações que o partido iniciou para tentar formar Governo, este será um processo complexo e, provavelmente, moroso. Também por isso, Sánchez prontificou-se a dizer que precisaria de três a quatro semanas de conversações com os diferentes partidos.

 

Depois das advertências da Comissão Europeia sobre os riscos de uma muito prolongada incerteza política no país, esta sexta-feira o PP e o Podemos coincidiram no apelo à agilização negocial do PSOE. Para os populares do primeiro-ministro que permanece em funções, Mariano Rajoy, o mês pedido por Sánchez é absolutamente "arbitrário".

 

Nesse sentido, apesar de o presidente do Congresso, o socialista Patxi López, ter rejeitado um pedido do PP para que fosse agendado com maior celeridade o debate de investidura de Sánchez, o PP voltou esta manhã a apresentar um pedido formal para que esse debate aconteça já a 22 de Fevereiro. Quem também quer acelerar o processo é Iglesias, que já hoje pediu a Pedro Sánchez "rapidez" nas negociações, até para evitar que "os espanhóis tenham que continuar a suportar Rajoy como primeiro-ministro interino". 

É perceptível que a generalidade dos partidos espanhóis queira agendar o quanto antes o debate para a investidura de Pedro Sánchez. Porque os 60 dias constitucionalmente estipulados como limite para que decorram as negociações tendo em vista a formação de governo só começam a contar a partir da primeira votação à investidura do candidato a primeiro-ministro. Se na primeira tentativa o secretário-geral do PSOE não conseguir reunir apoio maioritário de 176 dos 350 deputados (maioria absoluta), tem direito a uma segunda volta, a realizar no prazo de 48 horas após a primeira votação, em que é apenas necessária uma maioria simples.  


Prazo para formar Governo ainda não começou a contar A indefinição em torno da liderança e composição do futuro Governo espanhol é agravada por um vazio legal da Constituição do reino de Espanha. Ao contrário do que chegou a ser assumido pelos partidos espanhóis e por alguns órgãos de comunicação social, o prazo de 60 dias ao longo dos quais podem prolongar-se as discussões e votações ao candidato a presidente do Governo ainda não começou a contar.

Segundo o ponto 5º do artigo 99º da Constituição espanhola, o prazo de dois meses só começa a contar após a primeira votação do Congresso (equivalente à Assembleia da República) ao candidato à chefia do Executivo proposto pelo rei.

 

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