Europa Sánchez rejeita reunir-se com Rajoy e continua a acalentar ser primeiro-ministro

Sánchez rejeita reunir-se com Rajoy e continua a acalentar ser primeiro-ministro

O líder socialista recusou o pedido de Mariano Rajoy com vista a uma reunião entre ambos. Já Sánchez, que acredita que será o próximo chefe de Governo, mantém que nunca apoiará nem Rajoy nem outro candidato popular.
Sánchez rejeita reunir-se com Rajoy e continua a acalentar ser primeiro-ministro
Reuters
David Santiago 09 de março de 2016 às 14:55

Apesar de ter protelado uma nova ronda de consultas aos partidos com assento parlamentar, a intenção do rei espanhol Felipe VI de que os partidos negoceiem e alcancem um entendimento sobre o futuro Governo de Espanha não parece estar a surtir qualquer efeito prático no desbloquear do impasse político. O desenvolvimento mais recente aconteceu esta quarta-feira, 9 de Março, com Pedro Sánchez, secretário-geral do PSOE, a rejeitar reunir-se com Mariano Rajoy, presidente do PP e primeiro-ministro ainda em funções.

 

Em entrevista concedida ao canal de televisão Cuatro, citada pelo La Vanguardia, o líder socialista rejeita reunir-se com o líder do PP e avisa Rajoy de que "para falar em investiduras, há que falar das equipas negociadoras". O último encontro entre os líderes dos dois principais partidos espanhóis decorreu em 12 de Fevereiro, reunião marcada pela animosidade entre ambos patente quando Rajoy deixou Sánchez de mão estendida.

 

Ou seja, para já Pedro Sánchez não se quer reunir com Mariano Rajoy, preferindo que eventuais avanços negociais sejam inicialmente concretizados por representantes destes partidos. E também do Cidadãos, partido com o qual o PSOE assinou um "acordo de legislatura" e sem o qual não aceita sentar-se à mesa nem com o PP nem com o Podemos.

 

Na segunda-feira passada, Rajoy confirmara que iria telefonar ao líder socialista para agendar um encontro, isto depois de já ter aceitado a imposição de Sánchez de incluir o Cidadãos de Albert Rivera nas conversações. Por sua vez, Rivera, cada vez mais incompatibilizado com Rajoy, assevera a impossibilidade de um pacto com o ainda primeiro-ministro, figura que diz ser incapaz de protagonizar a mudança de que Espanha precisa.

 

Depois de chumbada a investidura de Pedro Sánchez como primeiro-ministro, o presidente do PP pretendia agora reiniciar conversações tendo em vista garantir o apoio dos socialistas, e possivelmente do partido de Rivera, para assim continuar na Moncloa na próxima legislatura.

 

No entanto, Sánchez corta pela raiz tais pretensões. "Não vamos apoiar nem Rajoy nem nenhum outro candidato do PP", atirou hoje o socialista que continua a acalentar e a acreditar que será ele próprio a chefiar o próximo Executivo espanhol, isto apesar de na passada sexta-feira ter recolhido apenas o apoio do PSOE, Cidadãos e Coligação Canária (num total de 131 votos) à sua investidura.

 

"Vejo-me na Moncloa, vou ser presidente do Governo e não haverá novas eleições", afiançou esta manhã Pedro Sánchez que concede que este objectivo só será possível se, primeiro, garantir o suporte do Podemos, partido liderado por Pablo Iglesias. "Espero que Pablo Iglesias reconsidere", admite.

 

Negociações à esquerda canceladas

 

Também durante esta manhã, o Podemos cancelou a reunião das forças de esquerda – PSOE, Podemos, Esquerda Unida IU) e Compromís - inicialmente agendada para esta quarta-feira. A 20 minutos do início do encontro, Iglesias rendeu-se às evidências e cancelou as conversações a quatro que só contariam com duas forças, o Podemos e o Compromís.

 

Isto porque PSOE e IU anunciaram a não comparência, dado que este partido recusou incluir o Cidadãos nas negociações. Também o Podemos é contra a inclusão do partido de Rivera numa eventual solução governativa, rejeição que é mútua. Mesmo assim, Sánchez acredita poder lograr o apoio do Podemos à sua investidura.

 

Cenário que é difícil mas que poderá tornar-se ainda mais complexo, porque tem vindo a ganhar expressão no seio do Podemos uma corrente que defende que o Podemos deve romper as negociações com o PSOE e precipitar novas eleições. 




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