Europa Skidelsky: “Portugal não tem um imposto sucessório?! Pensei que todos os países desenvolvidos tivessem”

Skidelsky: “Portugal não tem um imposto sucessório?! Pensei que todos os países desenvolvidos tivessem”

Robert Skidelsky, professor, “Lord”, biógrafo de Keynes, defende um imposto sucessório, diz que os estímulos são demasiado pequenos para impulsionarem a economia nacional e que há bons argumentos para um conjunto de países sair do Euro.
Skidelsky: “Portugal não tem um imposto sucessório?! Pensei que todos os países desenvolvidos tivessem”
Pedro Elias
Rui Peres Jorge 11 de setembro de 2016 às 15:00

Robert Skidelsky visitou Portugal para participar no Festival Internacional de Cultura de Cascais numa conferência que questionou se estaremos para sempre condenados a viver em crise. Em entrevista ao Negócios (que será publicada na próxima semana), o mais conhecido biógrafo de John Maynard Keynes mostra-se céptico quanto ao sucesso das actuais políticas na Europa, advoga um grande programa de investimentos a nível europeu e revela os principais equívocos na interpretação da obra de Keynes. Numa hora de conversa no sábado de manhã, Skidelsky avaliou também a decisão britânica de sair da União Europeia e olhou para os desafios de Portugal.

 

Para o professor de economia política da Universidade de Warwick no Reino Unido a política de estímulos ao rendimento que o Governo iniciou é demasiado tímida para ter efeitos visíveis na retoma. "É uma escala muito, muito pequena. Quando se tem um nível de hiato do produto [de distância entre crescimento verificado e o potencial da economia] desta dimensão, subir pensões num montante mínimo não funciona. É preciso gastar muito dinheiro".

 
Se a ideia é estimular a economia com dinheiro público então é necessário mais dinheiro. Muito mais dinheiro, defende, e a uma escala europeia. "Tem de o fazer com grande impacto. Um pequeno país não pode fazer muito por si só. Tem de ser algo à escala europeia: tem de ser um programa de investimento europeu muito, muito grande".

 

É esta dependência da Europa que Skidelsky coloca no centro de um debate polémico recorrente por cá: "Portugal, como pequeno país na Zona Euro, só tem duas estratégias: ou aguenta e espera que as reformas do lado da oferta [também referidas muitas vezes como reformas estruturais] tenham efeitos no tornar o país mais competitivo, e [ao mesmo tempo] espera por tanta ajuda quanto a que conseguir das instituições da Zona Euro; ou opta por sair da Zona Euro, com outros países, e ganha um instrumento adicional que é a taxa de câmbio", defende, considerando que os países do Sul devem pelo menos considerar essa hipótese.

 

"A Grécia é um caso extremo de disfuncionalidade. Portugal e outros não estão na mesma situação. Mas penso que há argumentos fortes para um conjunto de países sair da Zona Euro", diz.

 

Sobre as prioridades no combate às desigualdades de rendimento, onde Portugal ocupa um lugar cimeiro na Europa, o historiador coloca ênfase na importância da educação – e do investimento público em educação – mas considera que há espaço também para melhores políticas fiscais. Em particular mostrou-se particularmente surpreendido pela inexistência de um imposto sucessório: "O quê, Portugal não tem um imposto sucessório?! Pensei que todos os países desenvolvidos tivessem", responde, opondo-se a todos os argumentos contra este tipo de tributação, e defendendo que, no mínimo, o país deveria considerar o imposto ao nível mais baixo praticado pelos restantes países da UE.

cotacao Um pequeno país não pode fazer muito por si só. Tem de ser algo à escala europeia: tem de ser um programa  de investimento europeu muito, muito grande Robert Skidelsky PROFESSOR DE ECONOMIA POLÍTICA

 




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