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Socialista Patxi López eleito presidente do Congresso espanhol

PSOE e Cidadãos votaram a favor de Patxi López e o PP absteve-se numa votação que o Podemos classificou de "traição" aos eleitores socialistas. Rajoy quer governar quatro anos com apoio do PSOE e do Cidadãos.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 13 de Janeiro de 2016 às 13:35
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Acabou por não haver nenhuma surpresa e confirmar-se o acordo anunciado na passada terça-feira. Na manhã desta quarta-feira, 13 de Janeiro, o novo Congresso espanhol (equivalente à Assembleia da República em Portugal) elegeu o socialista Patxi López como presidente da instituição, com votos favoráveis do PSOE e do Cidadãos e com a abstenção do PP. Já o Podemos votou contra.

Numa votação que decorreu sem surpresas, López falhou a eleição na primeira votação que exige uma maioria absoluta de pelo menos 176 votos de um total de 350 deputados. Na segunda votação, em que basta uma maioria simples, a votação foi idêntica, com Patxi López a recolher o apoio de 130 deputados (90 deputados socialistas e 40 parlamentares liberais), tendo havido 148 abstenções, um voto nulo e 71 votos para Carolina Bescansa, deputada e co-fundadora do Podemos cuja candidatura foi apresentada em reacção à aliança entre PSOE, Cidadãos e PP e que surpreendeu ao chegar ao Congresso com o seu filho, um bebé de poucos meses.

 

O filho da deputada do Podemos foi uma das estrelas na estreia do novo Congresso espanhol.
O filho da deputada do Podemos foi uma das estrelas na estreia do novo Congresso espanhol. Reuters

Assim, o socialista Patxi López confirma-se como o primeiro presidente do Congresso espanhol não pertencente ao partido mais representado. Confirmou-se também o acordo ontem alcançado entre socialistas e liberais para a escolha de um presidente do PSOE, que contou ainda com o apoio beneplácito dos populares que não apresentaram nenhum candidato, assim concentrando o voto em Patxi López.

 

O primeiro-ministro ainda em funções, Mariano Rajoy, acabou mesmo por aplaudir a eleição de López. Enquanto Pablo Iglesias, líder do Podemos, considerou que a aliança entre PSOE, PP e Cidadãos configura uma "traição" aos eleitores socialistas, tendo, porém, aplaudido a eleição do novo presidente do Congresso, acto somente acompanhado por alguns elementos daquele partido de extrema-esquerda.

 

Quando ainda decorrem as votações para a mesa do Congresso, e tendo em conta a forma como se processou a votação para presidente da instituição, espera-se agora que se confirme também aquilo que foi acordado entre as partes: o PP fica com três dos oito lugares da mesa, Podemos e Cidadãos com dois e o PSOE com um, a que soma a presidência parlamentar.

 

Rajoy quer Governo PP, PSOE e Cidadãos. Sánchez não abdica de chefiar Executivo de esquerda

 

Mariano Rajoy encarou este processo como uma primeira fase do que pretende ser uma aliança alargada de suporte parlamentar a um Executivo chefiado pelo PP e por si liderado. Nesse sentido, indo um pouco mais longe face ao anterior apelo de um acordo entre os partidos que têm mais em comum do que a separá-los, Rajoy defendeu esta quarta-feira que PP, PSOE e Cidadãos devem aliar-se para formar um Governo que "dure quatro anos".

 

Para o primeiro-ministro espanhol em funções, "a mensagem nítida" transmitida pelos espanhóis nas eleições gerais de 20 de Dezembro foi a de que querem ver os partidos entenderem-se para partilhar responsabilidades. "É o que acontece noutros países europeus e nas principais instituições europeias", sustentou Rajoy citado pelo diário ABC.

O PSOE vai tentar liderar esse Governo [progressista]. E os eleitores do Podemos não perdoariam a Pablo Iglesias não privilegiar uma agenda social, que é o que precisam os espanhóis" Pedro sánchez

O Cidadãos está mais ou menos próximo desta visão do presidente dos populares. E apesar de Albert Rivera ter rejeitado participar num Governo liderado por Rajoy, recusando mesmo assumir quaisquer funções governativas, percebe-se que o líder do Cidadãos pretende assumir o papel de intermediário entre os partidos do "centrão" espanhol.

 

Todavia, Pedro Sánchez parece manter intacta a sua estratégia de repetir em Espanha uma solução de Governo com um tipo de suporte parlamentar idêntico ao que se verificou em Portugal depois das legislativas de 4 de Outubro. Para o que precisaria do apoio do Podemos e de outros pequenos partido de extrema-esquerda e soberanistas com assento parlamentar.

 

Com esse objectivo em mente, o secretário-geral do PSOE disse esta manhã a Iglesias que os espanhóis "não perdoariam" que o Podemos colocasse obstáculos à formação de um Governo progressista que permitisse colocar um ponto final à governação de Rajoy.

 

"O PSOE vai tentar liderar esse Governo [progressista]. E os eleitores do Podemos não perdoariam a Pablo Iglesias não privilegiar uma agenda social, que é o que precisam os espanhóis", disse Pedro Sánchez numa tentativa de demonstrar que o desacordo entre estes partidos sobre o presidente do Congresso não deve ser impeditivo da criação de um Executivo das esquerdas.

 

PSOE e Podemos não se entenderam no que à presidência e mesa do Congresso diz respeito porque Iglesias queria garantir quatro grupos parlamentares (o Podemos também elegeu deputados em três listas de candidaturas regionais), para aumentar o acesso às subvenções mensais e o número de intervenções parlamentares. Contudo, no entender dos socialistas tal pretensão não se coaduna com os regulamentos nem com as convenções do Congresso.

 

Agora, será tempo para o rei Felipe VI iniciar a consulta aos partidos com representação parlamentar. O desfecho é absolutamente imprevisível. A composição do futuro Governo, ou a incapacidade para a constituição do mesmo e subsequente necessidade de novas eleições, são dúvidas para dissipar nas próximas semanas.

O primeiro "lendakari" nacionalista Francisco Javier López Álvarez, ou Patxi López como é conhecido em Espanha, tornou-se, em 2009, no primeiro "lendakari" (presidente do Governo autonómico do País Basco) não nacionalista. Aos 56 anos, o homem nascido em Portugalete vai liderar o Congresso mais plural e dividido da história democrática espanhola.

Viveu a política por dentro desde cedo. Quando era ainda criança, conviveu na sua casa com figuras como Felipe González ou Nicolás Redondo Terreros, numa época em que o PSOE ainda era um partido clandestino. Entrou na Juventude Socialista aos 16 anos e, depois, rapidamente abandonou a profissão de engenheiro para abraçar a sua grande paixão: a política.

Para ser presidente do Governo basco, função para a qual se candidatou como defensor da Constituição do reino espanhol, beneficiou do apoio do PP local, demonstrando aí a sua capacidade de diálogo e busca de consensos. Curiosamente, Patxi López vai presidir a um Congresso altamente polarizado e que integra forças que pretendem alterar a Constituição. A sua capacidade de diálogo será testada nos meses vindouros.
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