Europa Suécia e Dinamarca reintroduzem controlos nas fronteiras

Suécia e Dinamarca reintroduzem controlos nas fronteiras

A Suécia introduziu verificações de identidade obrigatórias para quem viaja da Dinamarca para o país. A decisão levou a Dinamarca a impor também controlos temporários na fronteira com a Alemanha. 2016 começa com novos muros na Europa.
Suécia e Dinamarca reintroduzem controlos nas fronteiras
Reuters
Inês F. Alves 04 de janeiro de 2016 às 13:43

Todos aqueles que queiram fazer a travessia de comboio ou autocarro entre a Dinamarca e a Suécia através da ponte de Oresund, ou que optem por fazer a viagem de ferry, verão a sua entrada na Suécia recusada caso não apresentem a documentação necessária.

A imposição de verificações de identidade para quem viaja entre os dois países visa travar o fluxo de migrantes a chegar à Suécia, que, a par da Alemanha, é um dos principais destino dos refugiados e migrantes que desejam um novo começo em solo europeu, escreve a BBC.

Viagens directas entre a principal estação de comboio de Copenhaga e a Suécia deixarão de estar disponíveis. Assim sendo, passa a ser obrigatório mudar de comboio na estação ferroviária do aeroporto de Copenhaga, em onde os viajantes serão sujeitos a verificações de identidade. A expectativa é de que estas alterações acrescentem 30 minutos à viagem, que demora actualmente cerca de 40 minutos.

Entretanto, os operadores ferroviários anunciaram uma redução do número de viagens para a Suécia e informaram sobre a possibilidade de atrasos significativos, escreve a BBC.

Em Dezembro, a companhia ferroviária pública sueca SJ anunciou mesmo que ia cessar os serviços de transporte entre os dois países porque não tinha capacidade para levar a cabo as verificações de identidade impostas por uma nova lei aprovada em 2015, que impõe multas de 50 mil coroas suecas (cerca de 5.438 euros) às companhias de transportes que levem viajantes sem documentação válida.

Segundo a Bloomberg, cerca de 74.900 pessoas atravessam a ponte de Oeresund todos os dias, e outras 20.900 usam o ferry para fazer a travessia entre os dois países.

Hans Christian Schmidt, ministro dos Transportes dinamarquês, lamentou a introdução de controlos e sugeriu que o Governo sueco suporte os custos associados a estas alterações, que a companhia ferroviária dinamarquesa DSB estimou serem de 1 milhão de coroas dinamarquesas por dia (133.990 euros), escreve a BBC.

Para cumprir as novas regras, foram erguidas vedações numa das plataformas da estação ferroviária do aeroporto de Copenhaga e outra em Hyllie, a primeira estação do lado sueco.

A ministra sueca das Infra-estruturas, Anna Johansson, informou os media que as novas regras serão alteradas caso se veja um recua dramático no número de pedidos de asilo.

A Suécia recebeu mais de 150 mil pedidos de asilo em 2015, num ano em que cerca de um milhão de migrantes chegou à Europa por terra ou mar em 2015, segundo a Organização Internacional para as Migrações.


Dinamarca aperta controlos fronteiriços com a Alemanha

A Dinamarca impôs controlos temporários na fronteira com a Alemanha, justificando a decisão com as determinações suecas, escreve a Bloomberg, alegando que estas forçaram o governo dinamarquês a estender o controlo à fronteira alemã.

O primeiro-ministro dinamarquês Lars Loekke Rasmussen anunciou que o controlo na fronteira com a Alemanha passa a ter lugar a partir do 12:00 (hora local), por um período de 10 dias. Merkel foi informada da medida antes de esta ser introduzida, garantiu Rasmussen.

A resposta da chanceler Alemã foi pedir "uma solução europeia", disse o seu porta-voz Steffen Seibert aos media, citado pela Bloomberg, acrescentando que "a solução não passa pelas fronteiras nacionais entre o país A e B".

Esta é o mais recente assalto ao Acordo de Schengen, desenhado para unir a Europa. O espaço Schengen representa um território no qual a livre circulação das pessoas é garantida, onde os Estados signatários aboliram as fronteiras internas a favor de uma fronteira externa única.

Schengen "está em perigo", considerou Martin Schaefer, porta-voz dos Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, citado pela Bloomberg.




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