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Um G20 difícil para Theresa May: EUA e Japão fazem alertas sobre Brexit

A cimeira do G20, na China, não está a ser fácil para a primeira-ministra britânica, que já viu serem lançados vários alertas sobre o Brexit.

1. Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido
Reuters
Alexandra Machado amachado@negocios.pt 04 de Setembro de 2016 às 17:55
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Estados Unidos e Japão foram dois dos países que alertaram o mundo para as consequências do Brexit. Na cimeira dos 20 países mais industrializados do mundo, que está a decorrer na China, a primeira de Theresa May, a última de Barack Obama foi o presidente dos Estados Unidos que expressou a May que a prioridade para o seu país era o acordo com a União Europeia e não com o Reino Unido.

De acordo com os relatos dos jornais internacionais, Obama declarou que os britânicos fizeram mal em votarem pela saída. "Eu acredito – já acreditava antes do voto – que o mundo beneficiava muito da participação do Reino Unido na União Europeia".

Numa conferência de imprensa conjunta depois de uma reunião entre Barack Obama e Theresa May à margem da cimeira do G20, o presidente norte-americano fez questão de afirmar que não irá privilegiar um acordo comercial com o Reino Unido, mas salientou a importância da ligação entre as economias dos dois países e reafirmou que o Reino Unido continuará a ser um parceiro muito importante. Theresa May também lembrou a Obama que o Reino Unido sempre foi "um parceiro forte dos Estados Unidos e continuará a ser" e lembrou que os empresários britânicos exportam o dobro para os Estados Unidos do que vendem ao segundo maior cliente. Além disso, os Estados Unidos são o maior investidor estrangeiro no Reino Unido com mais de um milhão de postos de trabalho. "Precisamos de trabalhar sobre estas ligações fortes, à medida que o Reino Unido sai da União Europeia".

De Obama ouviu que o país apoia o Reino Unido num processo que seja o menos disruptivo possível, esperando não ver efeitos adversos no relacionamento comercial. Um jornalista do Daily Mail fez-lhe a pergunta se iria penalizar os britânicos pela decisão, e Obama esclareceu que tinha dito quando questionado sobre um acordo com o Reino Unido que tinha dito que os Estados Unidos estavam focados em negociar o acordo transpacífico e transatlântico e não faria sentido por esses esforços para trás.

 


Obama e May fazem promessas de continuação de bom relacionamento
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Obama e May fazem promessas de continuação de bom relacionamento

Japão quer previsibilidade

Mais veemente foi o Japão que publicou um documento de 15 páginas sobre as preocupações do país em relação ao Brexit. Instou o Reino Unido a permanecer no mercado único europeu, com liberdade de capitais – em particular o passaporte financeiro europeu, caso contrário os bancos japoneses poderão sair do Reino Unido - e de pessoas.  Mas mais do que isso, o Japão admitiu que os seus bancos, as suas indústrias e as suas farmacêuticas poderão sair do Reino Unido, optando por localizações na Europa continental, caso haja perda de benefícios com o Brexit, nomeadamente ao nível das tarifas alfandegárias. Advertiu para o facto do país liderado por Theresa May poder ficar menos atractivo para os negócios.

Metade dos investimentos nipónicos na União estão no Reino Unido, incluindo companhias como a Nissan, Honda, Mitsubishi, Nomura ou Daiwa.

E também escreve que o Reino Unido deve permanecer como a sede do sistema de compensação do euro e deve aí manter-se as agências internacionais, como a agência europeia de medicamentos. É que caso saia do país, as farmacêuticas nipónicas poderão deslocalizar os seus departamentos de investigação e desenvolvimento para a europa continental.

Nesse documento de 15 páginas, o governo japonês pede ao Reino Unido e à União Europeia que aumentem a previsibilidade em relação ao processo de saída do país da União.


Theresa May vê dificuldades

A caminho do G20, a primeira-ministra britânica já tinha advertido, numa conversa com jornalistas, para os tempos "difíceis" que se aproximam com a saída do país da União Europeia, mas disse acreditar que o Reino Unido poder ser um campeão dos acordos comerciais. À BBC declarou que não vai fingir que tudo vai ser fácil. Mas diz estar optimista sobre o futuro. À BBC também garantiu que não vai convocar eleições antecipadas e que irá divulgar esta semana o plano pós-Brexit.


Reino Unido fala do plano pós-Brexit esta semana
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Reino Unido fala do plano pós-Brexit esta semana



Já na China, à margem do G20, voltou a repetir a frase que tem proferido: "Brexit significa Brexit". Disse-o pela primeira vez quando se candidatou à liderança, que depois consumou, do partido conservador britânico. E, por isso, garantiu na conferência de imprensa, lado-a-lado com Obama, que não haverá lugar a um segundo referendo. Já esta semana Theresa May colocou a linha vermelha para as negociações, dizendo que quer reduzir a liberdade de movimento das pessoas que chegam ao Reino Unido via a União Europeia, sugerindo até que estaria disposta a sair do mercado único.

Afirmações que no sábado mereceram resposta do comissário europeu, Valdis Dombrovskis, que numa entrevista à Bloomberg disse que a liberdade de movimentos de bens, serviços, capitais e trabalhadores é um pacote e, por isso, não pode ser escolhido para umas liberdades e não para outras". O comissário europeu voltou a pressionar o Reino Unido para accionar o início do processo de saída o mais rapidamente possível, para limitar o período de incerteza. O processo de saída só se inicia quando o Reino Unido accionar o artigo 50.º do Tratado de Lisboa. Theresa May disse em Julho que só deveria accionar o artigo 50.º em 2017.

Ainda no G20, Theresa May reuniu-se com Putin. No arranque da reunião, segundo a Reuters, Theresa May disse esperar um diálogo aberto e franco com a Rússia, ainda que os dois países tenham divergências. 

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