União Europeia Alemanha mantém política de défice zero mas está pronta a agir com “muitos milhares de milhões”

Alemanha mantém política de défice zero mas está pronta a agir com “muitos milhares de milhões”

O ministro alemão das Finanças confirmou no debate sobre o orçamento, no parlamento, que a Alemanha avançará com medidas de estímulos de milhares de milhões de euros se o país cair numa verdadeira recessão.
Alemanha mantém política de défice zero mas está pronta a agir com “muitos milhares de milhões”
Reuters
Rita Faria 10 de setembro de 2019 às 12:33

A Alemanha vai manter a sua política de défice zero no próximo ano, mas está pronta a injetar "muitos milhares de milhões de euros" na economia, no caso de se confirmar a ameaça de recessão.

A garantia foi dada esta terça-feira pelo ministro alemão das Finanças Olaf Scholz, no debate sobre o orçamento na câmara baixa do Bundestag, onde o governante concretizou que, apesar de o país se manter na linha do equilíbrio orçamental, o investimento público vai aumentar em 2020.

"É um orçamento sólido que está a ser alcançado sem recurso a nova dívida", afirmou Scholz. "Usámos a nossa margem de manobra. É um orçamento expansionista que inclui muito investimento".

No entanto, Scholz deixou claro que, se a atual desaceleração se transformar numa crise genuína, o governo alemão está pronto para avançar com um grande pacote de estímulos à economia, já que as finanças "sólidas" do país lhe permitem essa margem de atuação.

"É central que estejamos em posição, com os fundamentais que temos, de responder com muitos milhares de milhões, se emergir uma crise económica na Alemanha e na Europa", disse o ministro ao parlamento. "E vamos fazê-lo. É a economia keynesiana a ganhar vida, se quiserem".

A garantia do ministro alemão das finanças surge numa altura em que se somam os sinais de abrandamento na maior economia europeia que, pela primeira vez nos últimos sete anos, está muito próxima da recessão.

Muito dependente das suas exportações, a Alemanha está a sofrer os efeitos do abrandamento global, exacerbado pela disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, a incerteza em torno do Brexit e a turbulência no Médio Oriente.

Neste contexto, o PIB da Alemanha contraiu 0,1% no segundo trimestre deste ano, e as projeções apontam para que, na melhor das hipóteses, estagne nos três meses que terminam em setembro.

Até ao momento, o ministro das Finanças e a chanceler alemã Angela Merkel têm rejeitado um cenário de recessão e resistido aos crescentes apelos para que o governo deixe cair a sua política de orçamentos equilibrados para conter a desaceleração.

Ainda assim, Scholz já havia admitido que, num cenário de crise, a Alemanha poderia avançar com um pacote de estímulos de cerca de 50 mil milhões de euros.

De acordo com as projeções do governante, a Alemanha continuará a ter um orçamento equilibrado até 2023, embora vários membros do seu partido, o SPD, tenham vindo a defender que o país deve aproveitar os juros extremamente baixos para emitir nova dívida e financiar o aumento da despesa pública.

Segundo a Bloomberg, Jakob von Weizsaecker, economista-chefe do Ministério das Finanças, já apresentou um programa de investimentos, enquanto Bettina Hagedorn, ministra-adjunta das Finanças, admitiu que o plano de ter orçamentos equilibrados até 2023 pode ser revisto se as condições económicas mudarem.

O plano orçamental da Alemanha foi aprovado pelo governo em junho e será sujeito ao voto do parlamento em novembro.




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