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António Costa tem dúvidas sobre implementação das condições de eventual acordo com Turquia

O primeiro-ministro português manifestou à entrada para o Conselho Europeu reservas sobre a implementação das condições de um eventual acordo com a Turquia, devido à crise de refugiados.

Erid Vidal/Reuters
Negócios com Lusa 17 de Março de 2016 às 16:58
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O primeiro-ministro, António Costa, manifestou esta quinta-feira, em Bruxelas, dúvidas sobre a implementação das medidas do pré-acordo entre a União Europeia (UE) e a Turquia no âmbito da crise migratória. "Tenho obviamente dúvidas que, perante as dificuldades que a UE tem tido em conseguir acelerar este processo de relocalização, que consiga implementar aquilo que pressuporia ser implementado neste acordo com a Turquia", afirmou o governante à entrada da cimeira de chefes de Estado e do Governo dos 28.


Reportando-se ao esboço de acordo que prevê nomeadamente retornos das ilhas gregas para a Turquia, o governante comentou que "se há quem acredite, óptimo".


António Costa destacou, por outro lado, que se pode ganhar com a "melhoria das condições democráticas na Turquia", bem como, com a cooperação na defesa das fronteiras externas e com a disponibilidade em ajudar na crise humanitária enfrentada pela Grécia.


"Tenho esperança que a discussão permita melhorar aquilo que é proposto", resumiu o governante, argumentando que os problemas se "resolvem na origem de forma solidária" e que quando uma rota é fechada, uma nova surge.


"Convém não depositar neste acordo a confiança de que ele pode dar mais do que aquilo que ele pode dar", concluiu o governante, saudando a posição divulgada quarta-feira pela Comissão Europeia de que o acordo respeitará as leis.


Os 28 deverão ser chamados a colaborar, "com todos os meios", com a Grécia, no retorno de migrantes irregulares para a Turquia, segundo o projecto de conclusões do Conselho Europeu, que decorre hoje e na sexta-feira, em Bruxelas. 

Questão não se esgota nas negociações com a Turquia

À entrada para este encontro, a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, lembrou que a questão das migrações não se esgota nas negociações com a Turquia, havendo outras rotas e países a ter em conta. "Falar sobre a questão das migrações não é só trabalha com e na Turquia, temos muitas outras rotas e países com os quais lidar", disse Mogherini, à entrada para a cimeira europeia.


"Faz parte do meu trabalho acompanhar a situação em todos os países, em todas as rotas", salientou. A Alta Representante para a Política Externa da União Europeia (UE) adiantando ainda que as negociações com a Turquia - que dominam os trabalhos do Conselho Europeu hoje e na sexta-feira - não se limitam à questão do fluxo migratório e controlo das fronteiras externas europeias.


"Temos que analisar a situação interna da Turquia, os direitos humanos, o primado da lei, as negociações com os curdos para reabrir espaços para a paz, a posição cipriota, há muitas agendas com a Turquia", salientou Federica Mogherini.


Por sua vez, a chanceler alemã, Angela Merkel, manifestou um "optimismo prudente" antes das negociações de um acordo crucial entre a UE e a Turquia sobre os migrantes, referindo que "ainda há muitas coisas por resolver". 

"Associo-me à avaliação do presidente do Conselho [europeu, Donald Tusk], que se refere a um optimismo prudente e insiste na palavra prudente", considerou a chanceler. "Ainda há muitas coisas por resolver, aguardam-nos discussões intensas", disse, citada pela Lusa. 


Em declarações à margem da cimeira sobre a crise migratória, o Presidente cipriota Nikos Anastasiades admitiu a possibilidade de um "compromisso" sobre o acordo UE-Turquia, após ter ameaçado bloquear a iniciativa."Existem obstáculos, mas espero que exista um compromisso no decurso das deliberações que vão ser efectuadas", disse. Anastasiades também assegurou que Chipre "não será o obstáculo".

As relações entre a UE e a Turquia têm sido perturbadas desde há décadas pela questão de Chipre, com Ancara a recusar reconhecer o Governo cipriota da parte sul da ilha dividida e Estado-membro da União desde 2004. 

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