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Draghi: "As coisas não estão a correr bem" na Europa

O presidente do BCE diz compreender o descontentamento, mas recusa que os problemas se devam ao euro e ao BCE. E insiste nas reformas estruturais.

Reuters
Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 02 de Outubro de 2014 às 23:24

O presidente do BCE reconhece que a Europa não está em boa forma e que por isso é normal que haja descontentamento. Mas a culpa não é do euro nem do BCE. "É muito compreensível: as coisas não estão a correr bem", disse ao ser desafiado a comentar as manifestações anti-austeridade que decorreram em Nápoles, onde se reuniu o Conselho de Governadores. De um lado da Europa há "desemprego persistente e actividade económica muito baixa, e até uma recessão que parece nunca mais acabar"; do outro, continuou, "as pessoas sentem que estão a pagar por todos os outros".

A Zona Euro estagnou no segundo trimestre, com a economia alemã a recuar 0,6% face aos três meses anteriores. França também recuou 0,1% e Itália 0,8%. Os últimos dados de produção industrial na região publicados nas últimas semanas também desapontaram.

"A economia ainda está fundamentalmente fraca", afirmou o BCE. "O recente abrandamento do momento de crescimento da Zona Euro, juntamente com riscos geopolíticos mais elevados, poderão prejudicar a confiança e, em particular o investimento privado", afirmou

Mas se compreende o descontentamento, recusa responsabilidades: "o euro não é a causa" dos problemas, afirmou, frisando que, mesmo sem moeda única, as economias teriam de fazer reformas estruturais e reduzir o défice orçamental e que, em alguns casos, até poderia ser mais difícil fazê-lo sem a estabilidade garantida pela união monetária.

O presidente do BCE aproveitou para comentar a intenção do Executivo francês em suavizar o seu esforço de consolidação orçamental, adiando para 2017 o objectivo de puxar o défice para um valor inferior a 3% do PIB, argumentando que a economia está demasiado fraca para aguentar mais austeridade. Criticado por Merkel e apoiado por Renzi, foi agora a vez de Draghi comentar: o presidente do BCE insistiu que a França seguisse as recomendações europeias lembrando que em França, ao longo dos anos, já se discutiram e prepararam muitas reformas e que "agora é tempo de implementá-las". 

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