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Barroso: “É preciso prudência quando dizemos que a Europa está numa crise irreversível”

O antigo presidente da Comissão Europeia rejeita a expressão "crise do euro" e garante que a moeda única sempre foi "sólida e estável". Durão Barroso acredita que a solução europeia está no "bom senso" e no "compromisso".

Miguel Baltazar/Negócios
Rita Faria afaria@negocios.pt 26 de Agosto de 2015 às 11:20
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Durão Barroso, antigo presidente da Comissão Europeia, questionou esta quarta-feira, 26 de Agosto, os fundamentos dos mais cépticos que afirmam, hoje em dia, que "a Europa não está bem" ou que "o euro está em crise".

"Será verdade todo o pessimismo que há à volta da Europa? Será que entrámos numa fase de irreversível decadência?", questionou Barroso, na Universidade de Verão do PSD. "Vamos aos factos. Nos últimos dez anos, a União Europeia praticamente duplicou. E normalmente as organizações em declínio não se alargam".

Por outro lado, recordou o antigo primeiro-ministro português, a Zona Euro tem hoje 19 membros, sendo maior do que era a União Europeia em 2004. "Por que razão é que mais países querem juntar-se à Zona Euro? Porque é que países, como a Grécia, querem ficar, se é assim tão detestável? É por isso que devíamos ter alguma prudência quando dizemos que a Europa está numa crise irreversível", afirmou.

Por isso, Durão Barroso rejeita a expressão "crise do euro", preferindo chamar-lhe "crise das dívidas soberanas".  O político português considera que a moeda única europeia sempre se manteve "sólida e estável" não tendo sido, de todo, a responsável pela crise. "Não foi o euro que criou a crise. Esta foi a crise financeira e da dívida soberana, motivada por comportamentos erráticos" e por "comportamentos irresponsáveis de governos nacionais que acumularam dívidas insustentáveis".

O ex-presidente da Comissão Europeia lembrou que, durante a crise que afectou toda a Europa, "tivemos de construir barcos salva-vidas no meio do naufrágio".  

"Criámos nova legislação para o sector financeiro, um novo sistema de governação na Zona Euro, com mais disciplina, novas instituições, como o Mecanismo Europeu de Estabilidade, uma espécie de FMI europeu. Nada disto existia", afirmou o político. "E também criámos os programas para os países que pediram os programas. Não foi a troika que criou a crise, foi a crise que criou a troika".

Barroso considera, por isso, que "a União Europeia reagiu". "Podia ser mais ambiciosa? Podia", acrescentou o responsável. "A solução europeia tem de ser por bom senso, por compromisso. Somos uma união de Estados e não pode haver uma opinião que prevaleça sobre as outras. Tem de haver compromisso", concluiu. 

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