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Bósnia apresenta pedido oficial de adesão à UE a 15 de Fevereiro

A Bósnia e Herzegovina vai oficializar o pedido de adesão à União Europeia a 15 de Fevereiro. A concretizar-se a adesão, não deverá acontecer antes de 2025. Divisões étnicas continuam a ser obstáculo ao desenvolvimento do país.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 26 de Janeiro de 2016 às 16:26
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A União Europeia (UE) terá em breve outro pretendente oficial a aderir ao espaço comunitário. Esta terça-feira, 26 de Janeiro, as autoridades bósnias confirmaram que vão entregar o pedido oficial de adesão à UE no próximo dia 15 de Fevereiro.

 

"É agora definitivo e claro que a data para submeter a aplicação a 15 de Fevereiro foi estabelecida pela actual presidência da UE, a Holanda", revelou, citado pela Reuters, o bósnio croata Dragan Covic, um dos três líderes da República tripartida bósnia.

 

Independente desde 1992, ano em que se separou da antiga Jugoslávia, a Bósnia foi palco a partir desse mesmo ano de uma guerra civil, que opunha croatas bósnios aos sérvios bósnios, com estes últimos a defenderem a permanência no seio da Jugoslávia, então já uma federação em decadência e controlada pela Sérvia.

 

Agora, precisamente 20 anos depois (a guerra civil bósnia terminou em Dezembro de 1995 com a assinatura do acordo de Dayton) do maior conflito militar em solo europeu desde a Segunda Grande Guerra, causando a morte a mais de 100 mil pessoas, a Bósnia tenta dar mais um passo rumo à estabilidade através da integração no bloco europeu.

 

Actualmente, a Bósnia e também o Kosovo são os únicos Estados balcânicos que ainda não pertencem à UE nem apresentaram oficialmente o pedido de adesão, permanecendo com o estatuto de "potenciais candidatos" à entrada na União. "É realista que obtenhamos o estatuto de candidato no início do próximo ano", antecipa Dragan Covic para quem a entrada na UE "é uma grande oportunidade para a Bósnia e Herzegovina".

 

No entanto este deverá ser um processo moroso, com os observadores citados pela Reuters a anteverem que a Bósnia não consiga ser um membro de facto da UE antes de 2025.

 

Ainda assim, Sarajevo conta com o impulso dado em 2015 pela Alemanha e pelo Reino Unido no sentido da realização de reformas económicas que facilitem a integração do país na União. Para já, Bruxelas decidiu apoiar com mil milhões de euros as reformas políticas e económicas de que o país necessita. Além disso, a Comissão Europeia já anunciou também 500 milhões de euros de investimento para a criação e melhoramento das infra-estruturas da Bósnia.

 

Um dos problemas que continua a representar um obstáculo à adesão da Bósnia à UE, e um problema interno que dificulta a boa gestão do território, passa pela solução política encontrada depois da guerra civil. O poder executivo está excessivamente descentralizado, polarizado num sistema político ainda muito precarizado pelas fortes divisões étnicas.

 

A presidência do país alterna entre três representantes de cada uma das principais etnias do país: croatas bósnios (católicos), sérvios bósnios (cristãos ortodoxos) e bósnios (maioritariamente muçulmanos ou eslavos muçulmanos).

 

A Bósnia vive sob um sistema político bifurcado, com a existência paralela e em simultâneo de duas entidades políticas com autonomia de decisão: a Federação da Bósnia e Herzegovina (que inclui bósnios e croatas) e a República Sérvia. A secessão por parte dos sérvios, que pretendem realizar um referendo sobre a independência desta parte da Bósnia, é uma ameaça latente sobre a integridade territorial do país. 

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