União Europeia Brexit: May consegue novo acordo na UE mas pode não bastar para passar no parlamento

Brexit: May consegue novo acordo na UE mas pode não bastar para passar no parlamento

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, conseguiu algumas mudanças no acordo de divórcio com a União Europeia. Mas podem não ser suficientes para amanhã ter luz verde no parlamento britânico.
Brexit: May consegue novo acordo na UE mas pode não bastar para passar no parlamento
EPA

Theresa May conseguiu, esta segunda-feira à noite, garantir mudanças no acordo de divórcio com a União Europeia, avançou a Bloomberg.

 

A primeira-ministra do Reino Unido e os líderes europeus estiveram hoje reunidos em Estrasburgo, em negociações de alta tensão, com May a conseguir algumas "garantias" da UE. Resta saber se amanhã haverá luz verde no parlamento britânico, pois as mudanças obtidas poderão não ser suficientes para o acordo passar.

 

Nos mercados, o otimismo impera. Com esta notícia, a libra segue a ganhar terreno face à nota verde, a subir 1,1% na negociação cambial da Ásia-Pacífico.

 

A chefe do Executivo britânico foi pressionada a não adiar a segunda votação decisiva, e vinculativa, sobre o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, tendo então esta noite conseguido um acordo com novidades para apresentar aos deputados – que deram um chumbo estrondoso à versão votada em janeiro (432 votos contra, 202 a favor).

 

May esteve reunida com Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, e Michel Barnier, o chefe da equipa negocial da União Europeia, à procura de um entendimento.

 

A questão decisiva continuou a ser o mecanismo de backstop, criado para lidar com a fronteira irlandesa, com o Reino Unido a pedir garantias de que esse mecanismo é de aplicação temporária e que não ficará preso ao mercado único de bens para sempre - um risco para o qual o procurador-geral do Reino Unido alertou o Governo de May.

 
E nas mudanças agora negociadas está previsto que o backstop, no caso de ser acionado, não possa prender indefinidamente o Reino Unido. Ou seja, se uma das partes agira de má fé, a outra parte pode sair deste mecanismo de salvaguarda.

O ministro do Gabinete do Governo, David Lidington, comunicou esta noite ao parlamento que May conseguiu, desta forma, garantias "legalmente vinculativas" de que o acordo de saída do Reino Unido não deixará o país preso "indefinidamente" às regras e regulamentos da União Europeia. São garantias que "melhoram e reforçam" o acordo do Brexit, acrescentou.

 

Mas Keir Starmer, porta-voz dos Trabalhistas responsável pelo Brexit, respondeu que as mudanças anunciadas não constituem um grande avanço. Acenando com uma carta que foi enviada pelos líderes da UE à primeira-ministra em janeiro, Starmer declarou: "Não é novo, não é de hoje, já estava nesta carta".

 

Entretanto, Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu, declarou, após estes novos termos acordados com May, que "fizemos tudo o que era possível para tranquilizar o Reino Unido. Esperamos um voto positivo na Câmara dos Comuns. Espero que o bom senso prevaleça".

 

Já Juncker publicou uma clarificação ao acordo do Brexit, com a publicação de uma carta na sua conta do Twitter, e avisou que "este é o acordo ou o Brexit poderá simplesmente não acontecer".



Em junho fará três anos que os britânicos votaram pela saída da União Europeia. Esta semana deverá ficar a saber-se se o Reino Unido sairá na data agendada ou se haverá mais incertezas, divisões e atrasos, sublinha a Bloomberg.

 

Esta terça-feira, recorde-se, os parlamentares vão votar novamente os termos do Brexit.

 
(notícia atualizada à 01:14)




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