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Brexit: Governo garante que interesses dos portugueses no Reino Unido serão acautelados

O Governo está "a trabalhar, há muito tempo", para "acautelar os interesses dos portugueses, qualquer que seja o resultado do referendo, seja ele a permanência ou a saída", garantiu Santos Silva.

Augusto Santos Silva - Negócios Estrangeiros: Os muitos anos que leva a “[gostar de] malhar na direita”, como confessou em 2009 o ex-braço direito de Sócrates, valem a Augusto Santos Silva a quarta maior notoriedade espontânea (3,2%). Voltou a fazê-lo na semana passada – o actual ministro dos Negócios Estrangeiros acusou o anterior Governo PSD / CDS-PP de se ajoelhar perante a Alemanha quando tal não era necessário – e segue em Fevereiro com avaliações mais positivas (1,9) do que negativas (1,2).
Miguel Baltazar
Lusa 21 de Junho de 2016 às 18:32
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O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, reiterou "a enorme vontade" de Portugal de que o Reino Unido permaneça na União Europeia e garantiu que serão acautelados os interesses dos portugueses naquele país, em ambos os cenários. 

 

"O Reino Unido é muito importante para a União Europeia. A União Europeia não será a mesma sem o Reino Unido, mas evidentemente continuará sem o Reino Unido, mas com o Reino Unido nós teremos melhores condições para o impulso de que precisamos todos", considerou esta terça-feira, 21 de Junho, em declarações à Lusa, à margem da sessão de lançamento da cátedra UNESCO - Património Cultural dos Oceanos, na Universidade NOVA de Lisboa.

 

O chefe da diplomacia portuguesa salientou que a decisão do povo britânico "é soberana". 

 

Questionado sobre as preocupações da comunidade portuguesa no Reino Unido sobre o resultado do referendo, Santos Silva assegurou que o Governo está "a trabalhar, há muito tempo", para "acautelar os interesses dos portugueses, qualquer que seja o resultado do referendo, seja ele a permanência ou a saída".

 

"Se a decisão for no sentido da permanência [na UE], acautelar os interesses das comunidades portuguesas significa acompanhar muito atentamente a concretização do acordo de Fevereiro [entre o Reino Unido e a UE] para que se contenha nos limites acordados", salientou. 

 

Pelo contrário, se os britânicos optarem pela saída ('Brexit'), o executivo português quer acautelar os interesses dos emigrantes portugueses, no período negocial que se seguirá, durante dois anos. 

 

Por outro lado, Portugal trabalhará para "compensar, em termos de relações bilaterais, eventuais dificuldades que um cenário de saída do Reino Unido venha a colocar aos portugueses que ali residem e trabalham". 

 

Questionado sobre eventuais efeitos de réplica de uma vitória da saída do Reino Unido, o ministro português escusou-se a "antecipar problemas que ainda não existem", afirmando-se convicto de que os britânicos vão escolher a permanência nos 28.

 

"Eu confio que o resultado do referendo vai ser um resultado favorável aos interesses do Reino Unido, que, do meu ponto de vista, coincidem com os interesses da União Europeia", disse.

 

No caso de vitória dos partidários da permanência do Reino Unido na União Europeia, as duas partes terão que honrar o acordo formalizado no início deste ano, que inclui capítulos sobre competitividade, gestão económica, soberania, benefícios sociais e livre circulação de europeus, adiando o acesso a benefícios sociais de migrantes nos primeiros quatro anos de residência no Reino Unido.

 

Na sequência deste acordo, o primeiro-ministro britânico, David Cameron acedeu a fazer campanha pela permanência do Reino Unido entre os 28.

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