União Europeia Brexit: UE mantém-se firme e quer que Londres se decida de uma vez por todas

Brexit: UE mantém-se firme e quer que Londres se decida de uma vez por todas

O presidente do Conselho Europeu reitera que enquanto o Reino Unido não invocar o artigo que prevê a saída de um Estado-membro da UE, não haverá negociações entre Bruxelas e Londres sobre o Brexit.
Brexit: UE mantém-se firme e quer que Londres se decida de uma vez por todas
David Santiago 01 de setembro de 2016 às 14:23

As autoridades britânicas colocam de parte retroceder face à decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia (UE). Ao que a UE responde com uma posição de inflexibilidade no que às negociações sobre o Brexit diz respeito.

 

Esta quinta-feira, 1 de Setembro, o polaco Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, garantiu que Bruxelas não encetará negociações formais com vista à saída britânica do projecto europeu antes de o Reino Unido invocar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, a cláusula que enquadra o processo de abandono de um Estado-membro e que, depois de accionada, inicia um período de dois anos para que a saída esteja concluída.

 

Para o antigo primeiro-ministro da Polónia, é fundamental respeitar "o nosso princípio de não notificação, não negociação", que, no seu entender, serve precisamente para "proteger" os interesses dos Estados-membros que permanecem na UE.

 

As afirmações de Tusk surgem depois de na passada quarta-feira a primeira-ministra britânica, Theresa May, ter colocado de parte a possibilidade de o Reino Unido voltar a realizar um referendo, isto apesar dos estudos de opinião que vão indiciando a possibilidade de o eleitorado britânico apoiar agora maioritariamente a permanência no bloco europeu.

 

No Parlamento inglês, May disse ainda que os parlamentares britânicos não serão chamados a pronunciar-se sobre o momento de invocação do artigo 50, deixando o timing para essa decisão nas mãos do Governo conservador por si liderado desde meados de Julho último.

 

Apesar da pressão europeia evidenciada logo após a vitória do "leave" no referendo de 23 de Junho para que a saída se concretizasse o quanto antes de forma a diminuir a incerteza decorrente do processo, o Executivo britânico tem dado mostras de que pretende avançar paulatinamente. Theresa May parece preferir enquadrar a forma como se processará o Brexit antes de os dois anos começarem a contar, assim evitando potenciais riscos.

 

Na mesma linha de Donald Tusk, o primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, citado pelo Politico, defendeu esta quinta-feira que o Reino Unido precisa clarificar a sua posição.

 

"O ónus cabe ao país que decida sair que tem de dizer-nos como pretende sair e eu considero que é esse o ponto primeiro da discussão", afirmou Timmermans em entrevista à agência AFP citada pelo Politico.

 

Reconhecendo que a Europa vive uma espécie de crise "existencial" desde a vitória do Brexit, Frans Timmermans quer que o Reino Unido defina de uma vez por todas como pretende sair da UE.

 

Este comissário lembrou que a vitória do "leave" foi também porque a população britânica quis recuperar o "controlo sobre os seus destinos", e advertiu que este é um "sentimento que não está limitado ao Reino Unido". O mesmo é dizer que Timmermans pretende agilizar a negociação em torno do Brexit para que também a UE recuperar o domínio sobre o seu futuro.




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