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Conselho Europeu reúne-se para tratar crise dos refugiados com Turquia em grande plano

Os chefes de Estado dos países-membros da UE vão reunir-se para tentar encontrar soluções para a crise dos refugiados. Bruxelas vai tentar obter maior apoio da Turquia. Merkel pede "solidariedade" e garante que sem Ancara a UE não poderá resolver este problema.

Angela Merkel
David Santiago dsantiago@negocios.pt 15 de Outubro de 2015 às 12:45
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Os líderes dos 28 Estados-membros da União Europeia (UE) voltam a reunir-se esta quinta-feira, 15 de Outubro, uma vez mais para discutir as crises dos refugiados e migratória cujos afluxos para a Europa não cessam. Em Bruxelas, além dos pedidos que serão dirigidos a alguns países para que cumpram aquilo que prometeram em matéria de acolhimento de refugiados, será também discutida a melhor forma de integrar a Turquia na pretendida solução para o problema.

 

Esta manhã, em palavras proferidas no Parlamento germânico, a chanceler alemã, Angela Merkel, lembrou que "a maioria dos refugiados de guerra que vêm para a Europa fazem-no através da Turquia". Merkel garantiu mesmo que "não seremos capazes de organizar e estancar o movimento de refugiados se não trabalharmos em conjunto com a Turquia".

 

Para a governante alemã, a Turquia, que acolhe actualmente cerca de 2 milhões de migrantes, sendo que a maioria serão refugiados que fugiram do conflito militar sírio, Ancara terá de desempenhar um "papel-chave" na resolução do problema.

 

Nesse sentido, os líderes europeus pretenderão reforçar o apoio aos migrantes e refugiados ainda em território turco. Bruxelas quererá também financiar Ancara de forma a que a Turquia possa melhorar os o controlo das suas fronteiras, marítimas e terrestres. No entanto, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, rejeitou recentemente a pretensão europeia de reforço dos campos de acolhimento de refugiados em solo turco, defendendo que a UE deveria apoiar a Turquia na luta contra o "terrorismo". A Comissão Europeia chegou a propor a Ancara a atribuição de cerca de mil milhões de euros para apoiar a Turquia a lidar com a situação.

 

Desde o início da guerra civil síria em 2011, a Turquia, seguida do Líbano, são os países que mais pedidos de asilo feitos por cidadãos sírios receberam, sendo também os países que mais refugiados oriundos da Síria acolhem.

 

Contudo, Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, sustenta que "um acordo com a Turquia só fará sentido se servir para reduzir de forma efectiva o influxo de migrantes" para a Europa. Na preparação para a cimeira de hoje, Tusk também instou os Estados-membros da União a fazer o prometido na cimeira de 23 de Setembro, referindo-se ao financiamento conjunto de 2,25 mil milhões de euros.

 

"Quero que honrem os compromissos", advertiu ainda o político polaco. Na mesma linha, Angela Merkel disse ser fundamental que "a Europa mostre solidariedade".

 

Apesar das inúmeras causas das crises migratória e dos refugiados que assolam a Europa, o agravar da situação na Síria, mas também no Iraque e na Líbia, está a contribuir decisivamente para que aqueles fenómenos não cessem.

 

Entretanto, segundo dados actualizados do Eurostat, o número de pedidos de asilo a países da UE feitos entre Janeiro e Setembro de 2015 já ultrapassou o recorde que havia sido estabelecido em 1992 na sequência da desintegração da Jugoslávia. Nos 12 meses de 92, foram formalizados 672 mil pedidos de asilo, valor que compara com os 698 mil pedidos já feitos nos primeiros nove meses deste ano. Alemanha, Hungria e Suécia são, por esta ordem, os países da União que mais pedidos recebem.

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