União Europeia Conte ameaça vetar acordo sobre migração. Merkel diz que está em causa destino da UE

Conte ameaça vetar acordo sobre migração. Merkel diz que está em causa destino da UE

No arranque para um Conselho Europeu repleto de temas sensíveis, o primeiro-ministro italiano avisou que Roma pode vetar um acordo sobre migração se não houver demonstração de solidariedade. Já a chanceler alemã alerta que "a migração pode determinar o futuro da Europa".
Conte ameaça vetar acordo sobre migração. Merkel diz que está em causa destino da UE
Reuters
David Santiago 28 de junho de 2018 às 15:21

Muitos e quentes são os dossiês que vão ser tratados pelos líderes europeus que se reúnem esta quinta e sexta-feira em Bruxelas. E as declarações feitas à chegada ao Conselho Europeu confirmam as divisões entre as capitais europeias, nomeadamente na questão da política migratória e da reforma da Zona Euro.

Numa carta enviada ainda ontem pelo presidente do Conselho Europeu aos líderes europeus, Donald Tusk notava que "o debate sobre migrações tem-se tornado cada vez mais quente". E esta manhã, à chegada à cimeira, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, avisou que é real a possibilidade de Roma vetar eventuais conclusões que venham a ser alcançadas se as mesmas não mostraram um compromisso solidário no acolhimento de requerentes de asilo. Conte exige "acções concretas".

O presidente francês, Emmanuel Macron, que logo após chegar a Bruxelas se reuniu à margem do Conselho com os líderes dos quatro países do grupo de Visegrado (Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia), preferiu lembrar que há dois caminhos possíveis: "ou queremos soluções nacionais ou acreditamos em soluções europeias e na cooperação".

 

Macron notou que por ele vingará uma via multilateral que permita reforçar a cooperação no âmbito dos acordos já existentes que, por sua vez, precisam ser melhorados.

Por sua vez, a chanceler alemã Angela Merkel, que antes de partir para a capital belga falou no Bundestag, defendeu esta manhã que "a Europa tem muitos desafios mas a migração pode acabar por determinar o destino da Europa". Para Merkel nesta cimeira "ou vai ou racha", ou seja, a chanceler considera que esta é última hipótese de a União Europeia alcançar um acordo sobre a questão relacionada com a política migratória e as regras europeias de asilo.

E quanto às propostas da Comissão Europeia com vista ao estabelecimento de centros de desembarque fora da UE, Merkel lembra que tais opções não podem nem devem ser tomadas à revelia e sem a participação desses países terceiros, designadamente no norte de África.

Defendendo esta via, Donald Tusk reiterou esta manhã que a diminuição de 96% desde 2015 do fluxo migratório para a UE foi conseguido "unicamente porque decidimos cooperar com países terceiros", uma alusão ao acordo estabelecido com a Turquia.




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