União Europeia Donald Tusk coloca de parte exclusão da Grécia do espaço Schengen

Donald Tusk coloca de parte exclusão da Grécia do espaço Schengen

O presidente do Conselho Europeu considera que uma eventual expulsão da Grécia do espaço Schengen "não resolveria nenhum dos nossos problemas", pelo que Tusk rejeita tal possibilidade.
Donald Tusk coloca de parte exclusão da Grécia do espaço Schengen
Reuters
David Santiago 16 de fevereiro de 2016 às 14:17

O cenário de exclusão da Grécia da zona de livre circulação abrangida pelo espaço Schengen foi esta terça-feira, 16 de Fevereiro, colocado de parte pelo presidente do Conselho Europeu, o polaco Donald Tusk. Depois de um encontro com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, em Atenas, Tusk sublinhou que a saída da Grécia de Schengen não é a solução para os problemas da União Europeia (UE).

 

"Para aqueles que falam de excluir a Grécia de Schengen, pensando que esta é a solução para a crise migratória, eu digo que não, não é", defendeu Donald Tusk, citado pela agência Reuters. "Sejamos claros, excluir a Grécia de Schengen não resolve nenhum dos nossos problemas", acrescentou o ex-primeiro-ministro da Polónia.

 

Ainda assim, o presidente do Conselho Europeu reconhece que os Estados-membros da UE têm de fazer mais para proteger as fronteiras externas do espaço comunitário, e ressalva a necessidade de a Grécia se esforçar mais e também a importância de os restantes parceiros europeus aumentarem o apoio a Atenas.

Pelo seu lado, Alexis Tsipras salientou que as autoridades helénicas foram céleres na conclusão da construção dos centros de registro e revelou que também Donald Tusk reconheceu que os meios da Frontex (agência responsável pelo controlo das fronteiras externas da UE) têm de ser reforçados. Esta agência já alertou por diversas vezes para a falta de meios para gerir e controlar devidamente o volume de migrantes que tentam chegar à Europa.

Tusk está esta terça-feira em Atenas no âmbito de um périplo europeu preparatório do Conselho Europeu da próxima quinta e sexta-feira, que terá como principais temas a negociação entre Londres e Bruxelas para evitar a saída do Reino Unido da UE e também as crises migratória e dos refugiados.

 

Depois de vários estados da Europa Central terem apresentado, na passada segunda-feira, um conjunto de propostas para bloquear o afluxo de migrantes e refugiados para a Europa através da rota dos Balcãs - que se inicia com a entrada na Europa através da Turquia, seguindo depois, via mar Egeu, para a Grécia - e que inclui uma posição dura em relação a Atenas, Tusk sublinhou a importância de manter a Europa unida.

 

Os países de Visegrado – Hungria, República Checa, Eslováquia e Polónia – destacam-se entre os que desde o avolumar da crise migratória mais se insurgiram contra a chegada massiva de requerentes de asilo. A Hungria, por exemplo, construiu muros com arame farpado junto à fronteira com a Sérvia, primeiro, e agora, ainda em construção, na fronteira com a Croácia. Na Europa, a rota dos Balcãs tem início na Turquia, passando depois pela Grécia, Macedónia e Sérvia. Aqui, depois do muro construído, muitos dos migrantes foram canalizados para a Croácia, sempre com o objectivo em mente de chegar à Hungria e depois à Áustria ou à Eslováquia. 

 

"A crise migratória está a testar a nossa união até ao limite", avisou Donald Tusk.

 

Em Janeiro, durante um encontro em Amesterdão dos ministros europeus do Interior, estados como a Alemanha, Áustria, Suécia e Bélgica colocaram em cima da mesa a possibilidade de expulsão da Grécia do espaço Schengen, isto se Atenas não controlasse o fluxo migratório que acede a território grego com o objectivo de depois rumar para norte, para países como a Alemanha ou a Suécia.

 

No final de Janeiro, a Comissão Europeia, pela voz do vice-presidente da instituição, Valdis Dombrovskis, acusou Atenas de estar a "negligenciar" as suas obrigações no controlo dos refugiados, referindo-se ao pacote de 50 medidas decidido ao nível europeu tendo em vista o controlo e a gestão dos migrantes que diariamente chegam a solo comunitário.

 

Entretanto, já na semana passada, o Conselho Europeu deu três meses à Grécia para aplicar efectivamente e de uma vez por todas as medidas acordadas para o controlo do afluxo migratório, ameaçando com a suspensão por dois anos de Schengen se Atenas não cumprir essas medidas.

 

Já esta terça-feira, Atenas anunciou que vários dos centro de controlo e gestão de migrantes em construção na ilha de Lesbos, aonde acorre grande parte dos migrantes provenientes da Turquia, estão finalmente operacionais. O ministro grego da Defesa, Panos Kammenos, que é também o líder dos Gregos Independentes, partido que forma a coligação de Governo com o Syriza, confirmou a operacionalidade destes centros. Kammenos lembrou ainda que o acordo alcançado com a NATO para ajudar a vigiar as porosas fronteiras da Grécia, e também da Turquia, será fundamental para "acabar com o [problema] da imigração". Citado pela Bloomberg, Kammenos considerou esta terça-feira que "este acordo com a NATO é de extrema importância".

 

Por outro lado, a Grécia e Alexis Tsipras têm apelado à solidariedade europeia para gerir e controlar a chegada diária de migrantes ao país, que devido à sua posição geográfica é, juntamente com Itália, aquele que mais migrantes e requerentes de asilo recebe. Isto num país alvo do terceiro resgate financeiro em cinco anos, e que está nesta altura sob pressão dos membros da troika, nomeadamente o Fundo Monetário Internacional e a Comissão Europeia, para aplicar mais reformas estruturais no país. A Grécia entrou oficialmente em recessão técnica depois de a economia ter encolhido nos terceiro e quarto trimestres de 2015.




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