Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Durão responsabiliza Merkel por UE não ter emitido eurobonds na anterior crise

O antigo presidente da Comissão Europeia lembra, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, que em 2011 propôs ao Conselho Europeu a emissão de obrigações de dívida conjunta, hipótese rejeitada pela ainda chanceler alemã que Durão Barroso afiança ter dito que "só por cima do seu cadáver".

Durão Barroso
David Santiago dsantiago@negocios.pt 29 de Julho de 2020 às 20:00
  • Assine já 1€/1 mês
  • 7
  • ...

Os líderes da União Europeia chegaram na semana passada a acordo sobre um plano de recuperação que, entre outros vetores, pressupõe a emissão conjunta de dívida europeia no valor de 750 mil milhões de euros (390 mil milhões a distribuir a fundo perdido) para financiar a reação aos efeitos da crise pandémica.

A mutualização da dívida agora vista como um passo "histórico" da UE já esteve em cima da mesa noutras ocasiões e foi isso mesmo que Durão Barroso lembrou em entrevista concedida ao jornal brasileiro Folha de São Paulo.

"Quando eu propus os eurobonds (obrigações de dívida europeia), em 2011, a sra. [Angela] Merkel disse que [a aprovação] só [ocorreria] por cima do seu cadáver. Mas a União Europeia caminha assim, por via incremental, passo a passo. Só que às vezes dão-se passos maiores e este foi grande", defendeu o homem que liderou a Comissão Europeia entre os anos de 2004 e 2014.

A possibilidade de emitir dívida europeia é um tema há muito discutido no âmbito da necessidade de completar a união económica e monetária e de compensar as assimetrias geradas pelos diferentes graus de desenvolvimento aquando da criação da moeda única.

Em 2011, em plena crise das dívidas soberanas, esse tema esteve em discussão e foi sobretudo inviabilizado pela Alemanha, que na altura liderava o agora chamado bloco dos países frugais (contribuintes líquidos para o orçamento comunitário), que rejeitavam essa via considerando que levaria necessariamente a transferências orçamentais diretas dos seus cofres para o sul europeu.

Para o também antigo primeiro-ministro português (2002-04), o resultado da última cimeira europeia mostra que "estamos já a entrar naquilo a que alguns chamam de união orçamental. Ainda não é isso, mas foi um passo importante".

Durão sinaliza que a UE costuma sair mais forte das crises, contudo rejeita entrar em euforias que vislumbrem no acordo agora fechado em Bruxelas um passo inequívoco rumo à federalização.

"A última crise financeira permitiu-nos avançar com coisas que na altura eram impensáveis, como o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE). Agora, não é ainda o nosso momento de Filadélfia [Constituição dos EUA]", frisa.

No entender do português "há dois erros típicos sobre a Europa". "Os mais eurocéticos estão sempre à espera da desintegração da Europa. Mas sua resiliência, e a do euro, são muito maiores que o reconhecido. Outro erro muito comum é o dos mais federalistas, da chamada "bolha de Bruxelas", sempre achando que vamos a ser os EUA da Europa. Vai ser algo a meio caminho", garante.

Ver comentários
Saber mais União Europeia Durão Barroso Europa Eurobonds Angela Merkel
Mais lidas
Outras Notícias