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Durão Barroso: “Austeridade atingiu o limite”

O presidente da Comissão Europeia admite que a Europa falhou ao não explicar o que estava em jogo e afirma que “as políticas de correcção orçamental – mesmo que sejam correctas – não são política e socialmente sustentáveis”.

Ana Luísa Marques anamarques@negocios.pt 22 de Abril de 2013 às 11:50
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“Temos dito isto mas temos de dizê-lo de forma ainda mais clara: mesmo que as políticas de correcção do défice sejam correctas, (…) não serão política e socialmente sustentáveis”, afirmou Durão Barroso durante uma conferência, em Bruxelas, intitulada “Federalismo e Fragmentação”, citado pelo semanário “Expresso". "Penso que estamos a atingir o limite das actuais políticas".

  

"Porquê? Porque uma política, para ter êxito, não pode apenas estar bem desenhada, tem que ter um apoio político e social mínimo. Sei que há conselheiros tecnocratas que nos dizem qual o melhor modelo, mas que quando perguntamos como o implementar, dizem que isso já não é com eles", disse o presidente da Comissão Europeia.

"Isto não pode acontecer ao nível europeu. Precisamos de uma política que seja correcta, mas, ao mesmo tempo, precisamos ter os meios para a sua implementação e aceitação política e social. E foi aqui que penso que não fizemos tudo bem", acrescentou o antigo primeiro-ministro português citado pelo "Expresso".

 

O presidente da Comissão Europeia defendeu que as políticas de correção dos défices e da dívida, que sublinhou serem "indispensáveis", devem ser combinada com "um ênfase mais forte no crescimento e nas medidas de crescimento a curto prazo".

 

Num discurso intitulado "A essência do federalismo", Barroso começou por defender que "numa altura em que a Europa vacila entre a integração e a fragmentação, é necessário esclarecer quais os planos, opções e intenções políticas" da Europa. "Mais integração é indispensável para a nossa economia. E os políticos que duvidam dessa possibilidade deviam perguntar aos mercados financeiros, às instituições internacionais e aos nossos maiores parceiros comerciais, o que eles pensam sobre isso". 

 

"O verdadeiro risco de fragmentação resulta do facto das instituições e dos políticos não ouvirem os cidadãos. (...) Existe o risco real de polarização na Europa. Estou profundamente preocupado com as divisões que estão a surgir: os extremos políticos e os populismos; a desunião entre centro e periferia da Europa; a renovada demarcação entre Norte e Sul".  

 

(Notícia actualizada com mais declarações de Durão Barroso às 12h41)

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