União Europeia É oficial. Britânicos votaram para sair da União Europeia

É oficial. Britânicos votaram para sair da União Europeia

Os resultados já são finais. O Brexit ganhou e o Reino Unido escolheu mesmo sair da União Europeia.
É oficial. Britânicos votaram para sair da União Europeia
Reuters

O que para muitos parecia impensável aconteceu mesmo. Os britânicos votaram pela saída do Reino Unido da União Europeia, numa decisão sem precedentes cujo impacto é ainda difícil de prever.

 

Já estão contados todos os votos do referendo britânico. De acordo com a Reuters, 51,9% dos leitores votaram para sair (Leave) da União Europeia, o que equivale a 17.410.742 euros. O voto pela manutenção (Remain) na EU registou um resultado de 48,1%, o que representa 16.141.241 de votos.

 

O que significa que, depois de contadas todos os 382 círculos eleitorais, a saída da UE venceu o referendo com uma margem de quase 1,3 milhões de votos. Votaram 72,2% dos eleitores inscritos, o que significa que a abstenção registou uns notáveis 27,8%.

 

Logo após o fecho das urnas foi divulgada uma sondagem que apontava para a vitória do Bremain, com uma curta vantagem (52%-48%). Contudo, à medida que os resultados oficiais foram sendo divulgados, começou a ficar claro que o Brexit ia mesmo vencer.

 

Ainda antes das 6:00 as televisões britânicas já davam com certa a vitória do Brexit, que acabou por se confirmar, com os votos pela saída da União Europeia a superarem os da permanência em cerca de um milhão.

 

Os políticos britânicos já começam a reagir aos resultados deste histórico referendo. O 'eurófobo' Nigel Farage, líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), foi o primeiro líder político a antecipar a vitória dos partidários da saída da União Europeia no referendo. "Vamos livrar-nos do hino, da bandeira, de Bruxelas e de tudo o que está errado. O dia 23 de Junho será o dia da independência", proclamou Farage, notório pelas suas posições anti-imigração.

 

Espera-se agora pela reacção do primeiro-ministro, sendo expectável que o primeiro-ministro opte pela demissão.

 

Nos mercados a reacção está a ser estremada, como se esperava. A libra afunda mais de 9% face ao dólar para 1,3401 dólares, um mínimo de 31 anos. As bolsas asiáticas estão a afundar e as praças europeias vão abrir em queda pronunciada, estimando-se uma descida próxima dos 10% para o FTSE.

 

E agora?

 

Com o pedido de divórcio entregue em Bruxelas, nada mudará no imediato. Até que se conclua um acordo de saída, o que pode demorar até dois anos e incluir um novo acordo de co-habitação com a UE (tipo Suíça ou Noruega, por exemplo), o casamento mantém-se, mas o Reino Unido passa a "dormir na sala" - sem direito a voto sobre as decisões que lhe respeitem. "O membro do Conselho Europeu e do Conselho que representa o Estado-Membro que pretende retirar-se da União não participa nas deliberações nem nas decisões do Conselho Europeu e do Conselho que lhe digam respeito", lê-se no artigo 50 do Tratado de Lisboa.

E o resto da Europa? A economia pode também sofrer – mas pouco. O HSBC estima um corte de duas décimas nas previsões de crescimento do PIB em 2016 e 2017. Em contrapartida, o "contágio político pode ser significativamente mais prejudicial".

 

"No referendo no Reino Unido, os principais argumentos da campanha do ‘Leave’ resumem-se essencialmente a questões sobre a imigração e soberania, que são preocupações de grande parte do eleitorado da União Europeia."

 

Em muitos países europeus, onde a extrema-direita e extrema-esquerda estão a ganhar terreno com o seu discurso anti-europeu e anti-globalização, como é o caso da Finlândia, da Suécia, da Holanda, da Grécia e de França, estas forças poderão ganhar ainda mais adeptos e aumentar o clima de incerteza sobre a sustentabilidade do próprio projecto de integração europeia.


A saída da sua segunda maior economia, membro central da NATO e – last but not least - do país cujo idioma é, de facto, a língua oficial de trabalho e de nenhum outro Estado-membro abrirá uma caixa de Pandora na UE com consequências muito difíceis de prever. Até porque é muito distinta a interpretação que alguns fazem das consequências de um "Brexit" e das janelas que ele abre ou fecha.

Se entre os que apoiam a saída do Reino Unido estão claramente os que defendem o regresso dos centros de decisão aos Estados-Nação e os que querem pôr travões à globalização, em especial à livre circulação de trabalhadores (não necessariamente à de mercadorias, serviços ou capitais), o facto é que, entre os apoiantes do Brexit, se podem encontrar também os que pensam exactamente o oposto: os que vêem na saída do Reino Unido uma oportunidade de ouro para avançar para uma genuína federação europeia - os verdadeiros federalistas.

 

Nos meios académicos, há correntes de pensamento assumidas segundo as quais o projecto europeu só pode sobreviver se deixar pelo caminho os que têm estado com um pé dentro e outro fora (caso do Reino Unido, que não é membro do euro, nem de Schengen, nem da união bancária, por exemplo) mas também aqueles, que participando nos projectos mais ambiciosos, se mostram relutantes em cumprir as regras acordadas. Quem fala de núcleo duro, de refundação da UE em torno de "coligações de vontades" tem muitas vezes em mente a necessidade de um processo de "depuração" e a convicção de que a saída da Grécia do euro não é uma questão de "se" mas de "quando", assim como a saída do espaço Schengen e de cooperação judicial e policial dos países de Visegrado, os mais relutantes em receber os muitos milhares de refugiados que continuam a chegar à Europa. 

 

No cruzamento entre estas duas dinâmicas, o maior ponto de interrogação será porventura perceber para que lado a França vai tender. Com eleições presidenciais marcadas para 2017, será que Paris vai dificultar ao máximo um novo contrato com o Reino Unido para que o "Brexit" possa servir de vacina contra os eurocépticos? Sendo tradicionalmente um país soberanista (os verdadeiros federalistas sempre moraram acima do Reno), será que um François Hollande enfraquecido ousará, ao mesmo tempo, dar um passo em frente na aliança franco-alemã para tentar contrariar a ascensão de Marine Le Pen? E em que áreas? Segurança – com forças policiais conjuntas, por exemplo, para lutar contra o terrorismo? Fiscalidade – avançando com o velho projecto de uma IRC comum para as empresas alemães e francesas?


A UE é lenta, porque as democracias são lentas, e nada se faz em pouco tempo. Mas nos próximos meses terá de encontrar algumas boas respostas para contrariar a espiral de incerteza que será desencadeada por um "Brexit".




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