Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Exportações e emprego em alta na Alemanha apesar do confinamento

Os indicadores divulgados esta terça-feira pelo Ifo indicam uma recuperação da economia alemã e da empregabilidade do país, apesar de tanto homens como mulheres desejarem trabalhar menos horas.

Apenas os setores da moda e calçado esperam um decréscimo das vendas
João Ruas Marques 30 de Março de 2021 às 18:34
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...
A economia alemã parece estar a recuperar mesmo depois de um ressurgimento do número de novos casos diários. Os dados do Institute for Economic Research (Ifo) sugerem que as exportações do país devem subir. Também o mercado de trabalho está a melhorar com o barómetro de emprego do instituto a alcançar um novo máximo desde fevereiro do ano passado.

O indicador do Ifo que avalia a expetativa de aumento das exportações de bens manufaturados no país disparou para os 24,9 depois de registarem em fevereiro um valor de apenas 11,9. A evolução observada vem à boleia do aumento da atividade económica na Ásia e Estados Unidos e um ligeiro crescimento também na zona euro que causou uma procura por bens alemães em praticamente todos os ramos industriais. Em sentido contrário estão apenas os setores da moda e calçado, que esperam um decréscimo das vendas.

O valor agora registado deste índice é o mais elevado desde janeiro de 2011, e surge na ressaca da crise de exportações causada pela pandemia de Covid-19 que se fez sentir fortemente por todo o mundo, com a exceção de indústrias como a da China. Por volta de março de 2020 o valor apresentado era de cerca de -50. 

Mercado de trabalho recupera na Alemanha

Á boleia do restauro da atividade económica, também o mercado de trabalho parece estar a crescer no país, com o indicador de emprego do instituto a alcançar um novo máximo desde fevereiro do ano passado. O valor agora apresentado de 97,6 (era de 94,5 em fevereiro) mostra que, apesar do confinamento ainda em vigor, a economia alemã está a contratar cada vez mais. 

O Ifo atribui este aumento à retoma do setor na manufatura de bens (diretamente relacionado com o aumento das exportações), sobretudo eletrónicos e à indústria elétrica mas, ao contrário de Portugal, o setor da construção apresenta "pouco movimento" nesta altura.

Por oposição, um inquérito conduzido pelo instituto prova que os alemães querem trabalhar menos horas e estão dispostos a aceitar cortes no ordenado por isso. É o caso de 50% dos homens e 41%, que trabalham 41 e 37 horas semanais, respetivamente. Idealmente, os homens trabalhariam, em média, 37 horas e as mulheres 30. 

Ainda assim, há quem queira trabalhar mais. É o caso de 17% das mulheres sondadas e 9% dos homens. No caso das mães, a resposta parece estar dependente das opções para a ocupação dos filhos sendo que, se tivessem um melhor equilíbrio entre a vida laboral e familiar, o estudo admite que muitas mães prefeririam trabalhar mais horas.


Zona Euro deve crescer já no próximo trimestre A atividade económica na zona euro está à beira do início de um longo processo de recuperação com uma queda de apenas 0,4% face ao período homólogo, em que encolheu 0,7%. No segundo trimestre as previsões são de um crescimento de 1,5%, que deve ser seguido por um crescimento de 2,2% no terceiro trimestre. Isto "se o coronavírus não baralhar as contas outra vez", diz a investigadora do Ifo Pauliina Sandqvist. Quanto à variação dos preços, o trabalho realizado pelo Ifo (Alemanha), pelo KOF (Suiça) e pelo Istat (Itália) prevê uma inflação de 1.1% no primeiro trimestre (mais 0,3 p.p do que no período homólogo), 1.8% no segundo trimestre e 2.1% no último trimestre do ano, alavancada pelo investimento e consumo privado. Ainda assim, estas são estimativas incertas que dependem do avanço do processo de vacinação e pelo desenvolvimento da pandemia.

 

Ver comentários
Saber mais emprego economia macroeconomia Ifo Alemanha
Outras Notícias