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França começa a desmantelar parte do campo de refugiados em Calais

Começou o desmantelamento de uma parte do campo de refugiados em Calais, França. Milhares de pessoas vivem nesta zona em condições muito precárias aguardando por uma oportunidade para atravessarem o Canal da Mancha.

Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 29 de Fevereiro de 2016 às 13:48
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Foi por volta das 9 horas (8 horas em Lisboa). Uma longa coluna de camiões chegou a parte sul do campo de refugiados de Calais, França, para dar início aos trabalhos de desmantelamento deste campo, relata o jornal francês Le Fígaro. "Os trabalhadores de uma empresa privada começaram a desmontar as cabanas" cercados por um forte dispositivo policial, acrescenta o jornal.

O Le Monde acrescenta que além dos funcionários de uma empresa privada, cerca de 20 pessoas, chegaram ao terreno daquela que é considerada como a "Selva" também duas escavadoras. Os trabalhos de desmantelamento desta área arrancaram esta segunda-feira, 29 de Fevereiro, depois de o Tribunal Administrativo de Lille ter validado, no final da semana passada, a ordem de expulsão da zona considerada como "Selva" da Perfeitura de Pas-de-Calais, de acordo com a mesma fonte.

A BBC salienta que o Executivo francês planeia realojar os migrantes em centros de acolhimentos. Neste campo, vivem milhares de pessoas que aguardam por uma oportunidade para atravessarem o Canal da Mancha e chegarem ao Reino Unido. De acordo com a estação britânica, as autoridades acreditam que cerca de mil migrantes vão ser afectado por este plano de desmantelamento da área. Porém, as agências humanitárias salientam que o número de pessoas a viver nesta zona é muito superior.

Os números relativos à população total deste campo de refugiados divergem: as autoridades em Calais falam em 3.700 pessoas e a Help Refugees, uma organização de apoio aos refugiados, fala em 5.497. Na parte sul, onde está a "Selva", os números também não coincidem: as estimativas oscilam entre 800 a mil refugiados ou ascendem a 3.455 pessoas.

Aos refugiados que ocupavam a "Selva" foram lhes dadas três opções: irem para um alojamento climatizado no sector norte do campo; irem para alojamentos climatizados em outra parte de França ou pedirem asilo em França, segundo a BBC. Contudo, vários ocupantes revelaram à cadeia inglesa que não querem sair daquela zona. Já na semana passada, o ministro francês da Administração Interna, Bernard Cazeneuve, disse que as autoridades iam colaborar com agências humanitárias para realojar os refugiados, segundo a Reuters.

Clare Mosely, voluntária do grupo britânico Care4Calais, citada pelo The Guardian, afirma que as autoridades locais chegaram a este campo por volta das 7 horas e deram uma hora aos residentes para saírem. Caso não o fizessem poderiam ser presos. "A presença policial é enorme. Há um cordão de segurança em toda a área", afirmou.

Fabienne Buccio, da perfeitura regional, afirmou que a presença policial era necessária porque "extremistas" poderiam tentar intimidar os refugiados no sentido destes recusarem as ofertas de habitação.

Crise dos refugiados cria brechas na União Europeia

A forma como os vários países europeus lidam com a chegada de refugiados às suas fronteiras tem feito correr muita tinta. Ainda na semana passada, a Bélgica assinalou a sua intenção de suspender temporariamente o acordo de Shengan e restabelecer o controlo das suas fronteiras com a França, avança o jornal francês Le Figaro esta terça-feira, 23 de Fevereiro. "Informámos a Comissão Europeia que vamos temporariamente suspender Schengen", disse o ministro do Interior do país. Jan Jambon, ministro do Interior da Bélgica, confirmou que o país vai suspender o acordo de Schengen temporariamente devido ao possível fluxo de migrantes provenientes do campo de refugiados de Calais.

Também na semana passada, o Governo húngaro anunciou que vai convocar um referendo para validar a quota nacional obrigatória de refugiados que foi destinada ao país pela Comissão Europeia, no âmbito da actual crise migratória na Europa. "O Governo está a responder ao actual apelo público, pensamos que introduzir quotas de realojamento para migrantes sem o apoio do povo é o mesmo que abuso de poder", disse esta quarta-feira, 24 de Fevereiro, o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban.

No último dia 25, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, declarou que a Grécia vai vetar acordos políticos na União Europeia até os outros Estados-membros aplicarem o acordado sobre a repartição dos refugiados. Atenas criticou algumas decisões tomadas por todos os líderes da União Europeia possam ser anuladas por grupos restritos. Tsipras aludia assim, escreve a Lusa, à decisão unilateral dos Estados da designada rota balcânica de encerrar as fronteiras a afegãos e exigir documentos de identificação a sírios e iraquianos, apenas um dia depois de o Conselho Europeu ter garantido que não haveria acções deste tipo antes da próxima cimeira, prevista para 7 de Março.

 

Tsipras fez estas declarações horas depois de a Áustria e nove países dos Balcãs Ocidentais terem acordado, em Viena, reforçar a cooperação para travar as vagas humanas, com novas medidas nacionais e regionais, com o objectivo declarado de "forçar" uma resposta comum dos Estados-membros da União Europeia à crise dos refugiados.

Esta manhã, a chanceler alemã, Angela Merkel, declarou: "não podemos deixar que a crise de refugiados deixe a Grécia no caos". 

A chanceler alemã referiu que os países europeus não podem permitir que a crise de refugiados mergulhe a Grécia no caos, fechando as suas fronteiras. Angela Merkel disse ainda que o continente europeu deve encontrar "uma maneira colectiva" para resolver o problema. Com mais de 70 mil refugiados em vias de ficarem retidos na fronteira norte da Grécia, Angela Merkel alertou para a possibilidade de o Governo de Atenas ficar paralisado devido à chegada de refugiados provenientes de zonas de guerra, como o Médio Oriente ou África.

 

A União Europeia e a Turquia em reunião especial a 7 de Março. O tema em cima da mesa será a crise dos refugiados. 



 

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