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Governo britânico deverá adiar sucessão de Carney e apresentação do orçamento de 2020

O Governo britânico deverá adiar decisões que normalmente teria de fazer nos próximos meses, dando o sinal de que prepara-se para ir a eleições.

Reuters
Negócios com Bloomberg 20 de Agosto de 2019 às 19:04
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Boris Johnson começa a dar sinais de que vai marcar eleições antecipadas para ter legitimidade política, após ter sido nomeado primeiro-ministro pelos membros do Partido Conservador.

Segundo a Bloomberg, o Governo britânico está a considerar adiar dois anúncios decisivos: a nomeação do sucessor do governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, e a apresentação do orçamento do Estado para 2020. 

O ministro das Finanças britânico, Sajid Javid, poderá esperar até 31 de outubro, dia limite para o Reino Unido abandonar a União Europeia, para anunciar o nome do novo governador do Banco da Inglaterra. Caso haja eleições no próximo mês, a apresentação do orçamento do Estado para 2020 deverá ser adiado, segundo uma fonte próxima do processo.

No caso do governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney já viu o seu mandato ser prolongado por duas vezes, um pedido feito pelos Governos anteriores dada a situação de incerteza criada pela saída da União Europeia. O ex-ministro das Finanças, Philip Hammond, tinha dito que iria nomear o sucessor no outono. 

São vários os potenciais candidatos: o chefe da autoridade da conduta financeira, Andrew Bailey, e o atual vice-governador, Ben Broadbent, são as principais hipóteses. Figuras conhecidas como Raghuram Rajan, ex-governador do Banco da Índia, têm dito que o cargo ficou menos apetecível dada a complexidade política à volta do Brexit.

À medida que o Reino Unido caminha para um potencial 'hard' Brexit, ou seja, sem acordo, aumentam os sinais de que Boris Johnson está a preparar-se para uma eleição geral com a promessa de gastar mil milhões de libras no Serviço Nacional de Saúde britânico e na luta contra o crime. De acordo com uma fonte ouvida pela Bloomberg, internamente o Governo considera que uma eleição é inevitável. 

Assim que as férias de verão terminarem, o líder da oposição, Jeremy Corbyn, do Partido Trabalhista, pretende levar o Governo "a votos" no Parlamento com uma moção de confiança. Corbyn pediu aos restantes partidos para o apoiarem como primeiro-ministro provisório para pedir novas eleições. O objetivo é impedir que haja um Brexit sem acordo. Caso seja marcada uma eleição geral, o Governo não poderá aprovar um orçamento.

Recentemente, numa carta enviada às instituições europeias, Boris Johnson pediu à União Europeia que prescinda do 'backstop' (mecanismo de salvaguarda) na fronteira entre a Irlanda (Estado-membro da União Europeia) e a Irlanda do Norte (Reino Unido). A resposta de Bruxelas foi crítica, apontando ao primeiro-ministro por não ter apresentado alternativas viáveis que evitem o regresso de uma fronteira física entre os dois territórios com um historial de conflito.
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