União Europeia Guerra esquerda-direita ameaça decapitar Comissão Juncker

Guerra esquerda-direita ameaça decapitar Comissão Juncker

O inglês, o francês e o espanhol: são já três os candidatos a comissário que correm o risco de chumbar nesta primeira época de exames junto do Parlamento Europeu. Juncker já entrou em campo para defender a sua equipa. Carlos Moedas está a salvo.
Guerra esquerda-direita ameaça decapitar Comissão Juncker
Eva Gaspar 02 de outubro de 2014 às 19:40

Todos eles vêm de grandes países; todos eles foram indigitados para pastas relevantes; todos eles são de famílias políticas distintas e poderosas; todos eles têm algum telhado de vidro (quem não tem?). Em suma: as condições são mais do que favoráveis para a ocorrência de fogo cruzado entre as principais forças políticas do Parlamento Europeu e esse risco pode estar a materializar-se, ameaçando os alicerces da nova Comissão Europeia de Jean-Claude Juncker que, à partida, deverá tomar posse em 1 de Novembro.

 

Há vários comissários a suscitar dúvidas, mas são especialmente três os ameaçados de ser chamados a uma segunda audição. O conservador espanhol Arias Canete, indigitado para supervisionar a área do Clima e Energia, está a ser apertado pelos socialistas que querem saber mais sobre os seus investimentos e da sua família em empresas petrolíferas. O britânico Jonathan Hill enviado por David Cameron (cujo partido está no Grupo dos Reformistas) foi nomeado para os Serviços Financeiros e está a ser acusado de ter espalhado muito "charme" enquanto fornecia respostas "pouco convincentes" sobre a pasta que irá dirigir e sobre como pretende gerir os interesses (frequentemente divergentes) da Europa no seu todo com os da City londrina.

 

O socialista francês Pierre Moscovici (na foto) também está na berlinda, após a audição parlamentar que decorreu esta manhã.  Sobretudo mais à direita, e possivelmente em retaliação ao cerco que os socialistas estão a fazer a Arias Canete, os eurodeputados não perderam a oportunidade de chamar a atenção para o "paradoxo" e "ausência de credibilidade" de querer pôr um antigo ministro das Finanças de um país que continua a pedir mais tempo para controlar o défice no limite máximo de 3% no lugar de comissário para os Assuntos Económicos onde terá de puxar as orelhas a quem não cumpre as regras.


"Podem contar comigo como árbitro justo e imparcial", garantiu, ao prometer que "as regras serão a minha única bússola" e ao repetir – segundo relata a Reuters em francês, inglês e em alemão - que "todos os países têm de respeitar o Pacto" de Estabilidade e Crescimento, precisando que irá usar a flexibilidade permitida pelas regras orçamentais para que os países possam promover o investimento, o crescimento e o emprego.

 

"Ninguém de boa-fé pode imaginar que você deve ficar com uma responsabilidade na Europa que qual falhou como ministro das Finanças de França", atirou Alain Lamassoure, que chefia a delegação francesa de centro-direita no seio do Partido Popular Europeu (PPE).

 

Burkhard Balz, o alemão também membro do PPE e que preside à poderosa comissão parlamentar de assuntos económicos, também não gostou da prestação de Moscovici. "As suas respostas sobre o tempo em que era ministro das Finanças (até há seis meses) foram muito fracas. Não mostrou também qualquer visão sobre o futuro da União Monetária".

 

Em contrapartida, os socialistas aplaudiram com entusiasmo a sua escolha. Citada pelo EuObserver, Elisa Ferreira disse que Moscovici dará um "excelente comissário", tendo mesmo considerado que fez "a melhor prestação " até à data. As audições aos 27 candidatos a comissários começaram nesta semana e terminam na terça-feira, 7 de Outubro.

 

O forte risco de vários dos seus comissários morrerem no campo de batalha política do Parlamento Europeu levou Jean-Claude Juncker a intervir.  "O presidente eleito Juncker acredita que todos os candidatos até agora submetidos a audições demonstraram de forma convincente a sua competência e o compromisso europeu", afirmou o seu porta-voz, citado pela Reuters que cita fontes parlamentares segundo as quais a confirmação de Moscovici "poderá ser adiada até a próxima semana e ser tratada como parte de um pacote político que envolve outras nomeações contestadas".

 

Carlos Moedas, o comissário português, passou o seu exame sem sobressaltos.




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