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Hollande: "É moralmente inaceitável que Durão Barroso se junte ao Goldman Sachs"

O presidente da França pronunciou-se sobre a ida de Durão Barroso para o Goldman Sachs e não foi brando, considerando "moralmente inaceitável" a passagem do ex-presidente da Comissão Europeia para o banco de investimento.

Miguel Baltazar/Negócios
Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 14 de Julho de 2016 às 13:07
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"Barroso foi presidente da Comissão Europeia durante 10 anos, não fui eu que o escolhi nem apoiei", sublinhou François Hollande em entrevista à 20 minutes, onde considera que "é moralmente inaceitável que José Manuel Barroso se junte ao Goldman Sachs."

Hollande salienta, numa outra entrevista à Europe 1, que este caso não é revelador do que é a Europa, mas uma questão "moral". O presidente francês sublinha que Durão Barroso "foi presidente da Comissão Europeia durante 10 anos, num período em que houve uma crise provocada pelo ‘subprime’, onde o Goldman Sachs foi uma das instituições emblemáticas."

E continua a realçar o "registo" do Goldman, que "também esteve envolvido no problema grego, uma vez que aconselhou os gregos e maquilhou os dados que a Grécia enviou para a União Europeia."

 

E, adianta, "anos mais tarde sabemos que Barroso vai juntar-se ao Goldman Sachs. Juridicamente, é possível, mas moralmente não é aceitável", sublinhou na entrevista.

 

Considera que Durão Barroso devia rejeitar o Goldman Sachs?

François Hollande surge assim como mais uma voz crítica à ida de Barroso para o Goldman Sachs. Já ontem, o ministro dos Assuntos Europeus francês, Harlem Desir, tinha considerado que a ida de Durão Barroso para o Goldman Sachs levanta questões sobre o conflito de interesses entre cargos na União Europeia e os papéis que podem ser assumidos após a passagem por Bruxelas.

 

"É um erro da parte de Barroso e é a pior imagem que um antigo presidente da Comissão pode dar ao projecto europeu, num momento da história em que este precisa de ser apoiado e fortalecido", defendeu esta quarta-feira, 13 de Julho, o responsável francês, citado pela Reuters.


Durão Barroso assumiu a presidência da Comissão Europeia em 2004, tendo permanecido à frente da instituição até 2014. O Goldman Sachs anunciou que o ex-primeiro-ministro português ia trabalhar na subsidiária Goldman Sachs International (GSI), em Londres, no dia 8 de Julho.

 

E, desde então, a polémica foi aumentando de tom. Ainda esta quarta-feira, Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, considerou que a ida de Barroso para o banco de investimento americano, apesar de não ser ilegal, é eticamente duvidosa.

 

(Notícia actualizada às 13:32 com mais informação)

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