Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

João Salgueiro à Antena 1: Governo devia ter rompido negociações sobre o Banif

O dinamizador do manifesto sobre a reconfiguração da banca portuguesa defende, em entrevista à Antena 1, uma "nacionalização à sueca" do Novo Banco. E adverte que pode haver "mais três bancos na linha para serem resgatados".

Negócios 05 de Maio de 2016 às 00:45
  • Assine já 1€/1 mês
  • 17
  • ...

João Salgueiro, vice-governador do Banco de Portugal depois do 25 de Abril, e o dinamizador do novo manifesto sobre a banca, que pretende adiar o prazo de venda do Novo Banco para 2019, sugere em entrevista esta quinta-feira à Antena 1 que António Costa devia ter interrompido as negociações sobre o Banif.

 

"A negociação devia ter sido feita com muito mais dureza. Havia pretexto para interromper a negociação!", salienta Salgueiro, dizendo não perceber o que o Executivo de António Costa fez e mostrando mesmo estranheza, já que o anterior Governo foi muito criticado por ter sido "muito dócil em relação a Bruxelas".

 

E deixa advertências. Depois do alerta do Banif, "que devia ter sido muito melhor explicado", e do alerta do Novo Banco, "pode haver o caso do BCP, da Caixa e de um banco mais modesto e que pode ficar caríssimo também" para os contribuintes portugueses, na opinião de João Salgueiro, que foi também ministro das Finanças da AD de Balsemão em 1981.

 

Nesta entrevista à Antena 1, João Salgueiro considera que a forma como Portugal está a gerir a questão da banca põe em causa a independência nacional: "Se acomodamos tudo, e se nos subordinamos a tudo o que vem de fora, ponham a independência nacional de fora".

 

Para a solução do Novo Banco, no entender de Salgueiro, tem de se fazer um estudo e haver um grupo independente, "que ponha preto no branco", que publique num Livro Branco quais são as alternativas. Isto porque, sublinha, "o problema é suficientemente importante, já não temos muitos bancos portugueses para estarem a ser desbaratados por urgências que não sabemos que existem e por oportunismos que também não sabemos se não existem".

 

Ainda sobre o Novo Banco, o antigo administrador da CGD e da Associação Portuguesa de Bancos sublinha que não se pode tolerar soluções mal explicadas e pergunta por que motivo é que uma nacionalização não há-de ser essa a solução. João Salgueiro defende, pois, uma "nacionalização à sueca": "faria como os suecos, nacionalização para assegurar a qualidade (…) e depois pode-se vender".

 

Relativamente ao manifesto sobre a banca - Manifesto dos 51 -, explica que este tenta evitar as vendas à pressa. "O Banif foi a gota de água" para os signatários, refere João Salgueiro. Quem vende até amanhã, vende mal, sublinha.

 

Já sobre a união bancária, é peremptório: "a união bancária é um aborto! É um escândalo! É um desastre!". João Salgueiro não compreende como é que os Governos a aceitaram. E usando a metáfora das pastelarias para falar da banca, questiona-se: "então há uma pastelaria que se porta mal e são as outras que pagam?".

 

E exemplifica com a Caixa Geral de Depósitos: "Então agora é proibido ter empresas públicas?". Salgueiro não aceita que Bruxelas não deixe capitalizar a CGD. "Então não há empresas públicas em França, na Alemanha, em todos os países?"

 

Quanto ao Governo, João Salgueiro dá ao primeiro-ministro o "benefício da dúvida". Afirma que "porventura Costa tem tido mais sucesso do que as pessoas imaginaram, o problema é saber se é convincente a nível internacional. Dou sempre o benefício da dúvida, sobretudo a pessoas que considero, mas em termos de probabilidades acho que é muito escassa".

Ver comentários
Saber mais João Salgueiro vice-governador do Banco de Portugal Novo Banco António Costa Governo Banif BCP Caixa Balsemão CGD Associação Portuguesa de Bancos banca
Outras Notícias