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Juncker: Gregos ricos a pagar mais impostos? "Fui eu, não foi o senhor Tsipras, que o exigiu"

Ao contrário do que dizia em público, o ex-primeiro-ministro grego não queria cortes na defesa, nem armadores a pagar impostos, nem carga fiscal agravada sobre os mais ricos, denunciou o presidente da Comissão Europeia. A saída da Grécia do euro era um cenário imposto e conhecido por Tsipras, disse ainda.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 09 de Setembro de 2015 às 11:42
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Jean-Claude Juncker revelou nesta quarta-feira, 9 de Setembro, perante o Parlamento Europeu que, ao contrário do que dizia em público, o ex-primeiro-ministro grego Alexis Tsipras não queria cortes no Orçamento da Defesa, nem que armadores pagassem impostos, nem que os mais ricos tivessem de suportar maior carga fiscal.

"Eu, conservador, fiquei muito surpreendido por ter estado duras horas para impor que os gregos mais ricos pagassem mais impostos. Fui eu, não foi o senhor Tsipras, que o exigiu", frisou, referindo-se às longas e duras negociações em torno das condições exigidas pelos parceiros europeus para aceitar conceder o terceiro resgate à Grécia.

"Se a Comissão não tivesse estado presente, o programa de ajustamento teria sido muito mais difícil de aplicar", defendeu, ao elogiar as reformas realizadas noutros países, citando Portugal, a par de países como a Irlanda ou a Espanha. "Demostraram resultados que confirmam a minha análise. Quando fazemos boas reformas, os resultados são melhores".

 

O presidente da Comissão Europeia disse ainda que a saída da Grécia do euro foi uma hipótese que Alexis Tsipras sabia que Bruxelas tinha de encarar – e que estava a encarar - em face da postura de Atenas nas negociações, contrariando também a tese do primeiro-ministro grego de que foi confrontado com um "ultimato" do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, e que, por isso, teve de recuar.

"Ele sabia desde o início que o 'Grexit' era uma opção mesmo que não o disséssemos publicamente". E num aviso à navegação em Atenas, acrescentou: "Desta vez, se não for cumprido o que está previsto, a União Europeia e a Zona Euro terá de agir diferentemente".

A Grécia vai a eleições no próximo dia 20, depois de Alexis Tsipras ter apresentado a sua demissão. As mais recentes sondagens sugerem que o Nova Democracia poderá ser o partido mais votado, à frente do Syrza.

(Notícia actualizada às 12h00)

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