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Letta garante corte nos impostos mas compromete-se com o rigor orçamental

O primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, está a caminho de Berlim, naquele que é o seu segundo dia completo de mandato, para apresentar o seu plano de crescimento económico à chanceler Angela Merkel.

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Jorge Garcia jorgegarcia@negocios.pt 30 de Abril de 2013 às 10:58
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O programa italiano de apelo a cortes nos impostos das empresas, dos consumidores e dos proprietários de casas ganhou um voto de confiança no parlamento italiano ontem, bem como a aprovação dos investidores, o que pressionou os juros da dívida a 10 anos para os valores mais baixos desde 2010, segundo noticia a Bloomberg.

 

Os investidores e os líderes europeus puderam observar o novo governo italiano no seu discurso introdutório, ontem, no parlamento. O programa italiano, suportado pelo compromisso dos três partidos que apoiam o governo, inclui a promessa de rigor orçamental, embora ainda não se saibam detalhes sobre a forma como Letta irá financiar a redução dos impostos.

 

O novo primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, quer que a Europa apoie políticas de crescimento e diz que tentará mobilizar os seus principais parceiros para a necessidade de pôr menos ênfase nas políticas de saneamento das contas públicas.

 

“É claro que este governo vai ter problemas no balanceamento da sua forma de actuação”, afirmou Riccardo Barbieri, economista do Mizuho International. Para que o governo consigo fazer tudo aquilo que foi dito por Letta “sem aumentar os impostos, ele terá de cortar nas despesas do governo, especialmente onde mais dói”.

 

No seu primeiro discurso perante o Parlamento italiano, o novo líder do Governo anunciou que ainda nesta semana visitará líderes europeus em Bruxelas, Paris e Berlim para demonstrar a importância que a Itália atribuiu a uma estratégia económica articulada ao nível da União Europeia. Letta será recebido já esta terça-feira pela chanceler alemã, Angela Merkel, com quem debaterá assuntos europeus.

 

Letta qualificou de “séria” a situação da economia italiana, uma das mais endividadas da Europa, mas considera que é chegado o momento de mudar de foco. “Morreremos apenas com consolidação orçamental; políticas de crescimento não podem esperar mais”, disse Enrico Letta, citado pela Reuters.

 

"A Europa está em crise de legitimidade, justamente quando os seus cidadãos mais precisam dela. Faz falta mais Europa", afirmou, acrescentando que "o destino de todo o continente está unido" e "não há vencedores nem vencidos". "Não há mais tempo. Muitas famílias e cidadãos estão mergulhados no desespero", sublinhou. Esta "vulnerabilidade" dos cidadãos pode transformar-se em "raiva e conflito", alertou, lembrando o tiroteio de domingo frente à sede do Governo italiano, em que um homem desempregado atingiu dois polícias.

 

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