União Europeia Maçães: "A Alemanha precisa de fazer muitas das reformas estruturais que Portugal fez nestes anos"

Maçães: "A Alemanha precisa de fazer muitas das reformas estruturais que Portugal fez nestes anos"

O secretário de Estado dos Assuntos Europeus defendeu, em Berlim, uma maior integração europeia das políticas públicas e a criação de mecanismos preventivos de crises.
Maçães: "A Alemanha precisa de fazer muitas das reformas estruturais que Portugal fez nestes anos"
Miguel Baltazar/Negócios
Eva Gaspar 11 de março de 2014 às 13:23

O secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, defendeu nesta terça-feira, em Berlim, que a Alemanha precisa de um sector de serviços à altura do seu sector industrial e de fazer muitas das reformas estruturais que Portugal fez nestes anos, sendo que estes assuntos não dizem respeito apenas aos alemães.

 

"Um sector de serviços mais aberto e competitivo teria mais investimento, mais empresas novas, o que levaria os trabalhadores menos qualificados do sector industrial a mover-se para o sector de serviços. O sector industrial alemão subiria na cadeia de valor, e países como Portugal teriam oportunidades em actividades onde a indústria alemã deixaria de operar. A produtividade subiria na Alemanha e em Portugal", argumentou.

 

Falando na sessão de encerramento do II Fórum Portugal-Alemanha, que decorreu ao longo de dois dias na capital alemã, Bruno Maçães salientou que a crítica construtiva devia fazer parte do funcionamento normal da União Europeia, porque a "amizade só assenta em bases sólidas quando inclui a crítica honesta". Neste contexto, frisou, "a mim não me custa dizer aqui com clareza: a Alemanha precisa de fazer muitas das reformas estruturais que Portugal fez nos últimos anos".

 

Referindo-se implicitamente às parcerias económicas, ainda numa fase de discussão muito embrionária, Maçães defendeu que a União Europeia tem de adoptar uma lógica preventiva de crises, porque as reformas estruturais estão a ser feitas numa situação de emergência ou estão a ser, pura e simplesmente, adiadas, e que esta lógica deve assentar no princípio de responsabilidade colectiva. "Os custos têm de ser partilhados, porque as vantagens, numa economia integrada, serão partilhadas".

 

Usando como exemplo a união bancária em curso, o secretário de Estado defendeu que em vários domínios das políticas públicas, designadamente do mercado de trabalho ou dos sistemas de ensino, a Europa deve criar regras, e eventualmente instituições que as vigiem, para permitir uma efectiva "comunicação" entre os seus diferentes países - mas não uma uniformização.   

 

"Eu não acredito nem num Estado comum europeu nem em Estados que vivem separados na sua soberania - são dois extremos a evitar". Mas "se queremos criar um grande espaço de comunicação, esse espaço tem de assentar em regras ou instituições. Não basta eliminar barreiras", afirmou, frisando que isso foi muito claro no caso dos mercados financeiros, onde a mera existência do euro não garantiu o fim de barreiras que ainda hoje se reflectem no custo muito mais caro a que chega o crédito à periferia.

 

"Não se trata de criar um poder europeu, mas de uma força centrípeta que combata a fragmentação política, tal como a união bancária combate a fragmentação financeira. Se um país não faz as reformas necessárias, o seu crescimento e emprego sofrem, com efeitos negativos na procura externa para outros países. Isto será tanto mais verdade quanto os mercados estiverem mais integrados. Por isso é essencial que haja comunicação de políticas, que todos os países possam ter uma palavra sobre determinadas escolhas fundamentais de outros Estados-membros", defendeu.

 

O II Fórum Portugal-Alemanha decorreu em Berlim, por iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian, do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI-UNL) e do Instituto Alemão para a Política Europeia. A primeira edição do Fórum bilateral teve lugar em Lisboa em Janeiro de 2013.

 

*jornalista em Berlim, a convite da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI-UNL)




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