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Marcelo salienta que Portugal sempre quis países do Centro e do Leste na UE

O Presidente da República salientou esta quarta-feira que Portugal sempre quis o alargamento da União Europeia (UE) aos países do Centro e do Leste e referiu que ele próprio, em 1991, defendeu a integração plena da República Checa.

3º Marcelo Rebelo de Sousa, 1169 notícias - Terão sido poucos os dias em que o Presidente da República não fez declarações públicas este ano.
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 14 de Dezembro de 2016 às 21:31
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Marcelo Rebelo de Sousa falava durante um jantar em honra do Presidente checo, Milos Zeman, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, num discurso em que recordou que Mário Soares foi o primeiro chefe de Estado a visitar Praga após a Revolução de Veludo na antiga Checoslováquia.

 

Na sua intervenção escrita, à qual a agência Lusa teve acesso, o chefe de Estado português considerou que Portugal e a República Checa, sendo países de dimensão e desenvolvimento semelhantes, convergem com frequência e devem "tirar pleno partido desta sintonia" no quadro da UE.

 

No início do seu discurso, Marcelo Rebelo de Sousa falou das relações entre os dois países desde o século XV e disse que, "mais recentemente, a República Checa tornou-se um país a quem a história da Europa, a liberdade e a democracia muito devem".

 

Neste contexto, acrescentou: "É para mim muito grato assinalar que, embora em deslocação privada, o primeiro chefe de Estado que visitou Praga após a Revolução de Veludo foi o Presidente de Portugal, doutor Mário Soares".

 

Em seguida, o Presidente português referiu que ele próprio, num encontro em Junho de 1991, em Praga, defendeu, "contra a orientação de muitos, a integração plena da República Checa nas Comunidades Europeias e não a mera confederação".

 

"Sempre entendemos, em Portugal, que a UE não faria sentido sem a plena integração dos seus membros do Centro e do Leste. Por isso mesmo, fomos, desde o início, defensores empenhados do processo de alargamento e da adesão da República Checa à Aliança Atlântica e à União Europeia", salientou.

 

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, essa posição de Portugal foi ditada pela convicção "da importância dessa adesão para a consolidação da democracia, da liberdade e do Estado de direito, um objetivo pelo qual o povo checo tão corajosamente se bateu".

 

"Fizemo-lo, ainda, por uma questão de visão da Europa e, nomeadamente, na certeza do contributo da República Checa para a construção de uma Europa mais forte e mais coesa", completou.

 

Sobre as actuais relações bilaterais, o chefe de Estado português declarou: "Nos dias de hoje, somos velhos amigos e aliados e cooperamos de forma estreita nos variados domínios, tanto no quadro da Aliança Atlântica como da UE". No seu entender, contudo, "o relacionamento bilateral económico entre Portugal e a República Checa está ainda muito aquém das potencialidades".

 

Quanto à UE, Marcelo Rebelo de Sousa advogou "um projecto que se constitua numa real mais-valia face à defesa isolada dos interesses nacionais de cada Estado-membro e que permita à União falar a uma só voz".

 

"Portugal e a República Checa são dois países de idêntica dimensão, com graus de desenvolvimento económico semelhantes e que têm, frequentemente, preocupações convergentes. É importante que saibamos tirar pleno partido desta sintonia nos vários âmbitos do nosso relacionamento, incluindo, desde logo, no quadro da UE", considerou.

 

Marcelo Rebelo de Sousa mencionou que esta visita de Milos Zeman a Portugal é "a primeira de um chefe de Estado da República Checa em 12 anos" e propôs um brinde com vinho do Porto à saúde do Presidente checo, "ao povo amigo" daquele país e ao futuro da amizade entre as duas nações.

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