União Europeia Martin Schulz mostra-se "espantado" com a posição da Grécia face à Rússia

Martin Schulz mostra-se "espantado" com a posição da Grécia face à Rússia

O presidente do Parlamento Europeu, que esta quinta-feira se desloca a Atenas, criticou o facto de o novo Governo grego, que pede solidariedade entre os povos europeus, tenha optado por se afastar da posição conjunta da UE. Novo ministro da energia grego já veio dizer que Atenas é contra as sanções aplicadas a Moscovo.
Martin Schulz mostra-se "espantado" com a posição da Grécia face à Rússia
Reuters
David Santiago 29 de janeiro de 2015 às 13:26

Não é só em matéria puramente económica que o novo Governo grego diverge de Bruxelas. É também em matéria diplomática e geoestratégica. A Grécia mostra-se contra a estratégia de penalizações económicas prosseguida pela União Europeia (UE) contra Moscovo. De Bruxelas vêm críticas contra o que consideram representar uma falta de solidariedade do Executivo liderado por Alexis Tsipras.

 

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, encarna o descontentamento face à atitude de Tsipras que, ainda na segunda-feira, teve como um dos primeiros actos oficiais, enquanto primeiro-ministro, um encontro com o representante diplomático da Rússia em Atenas. "Verifiquei com espanto que a Grécia abandonou a posição conjunta da UE face à Rússia", disse o político social-democrata alemão, citado pela Reuters.

 

Martin Schulz, que esta quinta-feira se desloca à Grécia, referia-se também ao facto de o Governo grego, que tomou posse na terça-feira, se ter distanciado do comunicado de Bruxelas, emitido no mesmo dia, e que alude à hipótese de, à imagem do já aventado por Washington, prolongar e, ou reforçar o conjunto de sanções económicas que pendem sobre Moscovo. Isto depois do agravar dos confrontos no leste da Ucrânia, designadamente em Donetsk e na cidade portuária de Mariupol.

 

Os confrontos entre o exército de Kiev e os separatistas pró-russos agravaram-se depois de terem sido adiadas as conversações de paz previstas para Astana, capital do Cazaquistão, que tinham como objectivo a efectivação no terreno do acordo de paz assinado em Setembro do ano passado.

 

Em comunicado oficial, o gabinete de Tsipras afirmou "não consentir" os avisos deixados por Bruxelas, cidade que acolhe, esta tarde, uma reunião dos 28 ministros dos Negócios Estrangeiros da União, marcada de emergência pela Alta Representante para a Política Externa e de Segurança, Federica Mogherini.

 

Apesar de a UE já ter afiançado que o documento foi aprovado pelos 28 Estados-membros segundo os métodos habituais, o novo ministro dos Estrangeiros da Grécia, Nikos Kotzias, cita o Kathimerini, assegura que Bruxelas "infringiu as regras e tentou apresentar um facto consumado antes mesmo de termos tomado posse".

 

Entretanto, segundo o Financial Times, foi o ministro grego responsável pela área energética, uma das mais afectadas pelas sanções ocidentais à Rússia, Panagiotis Lafazanis a notar que "não temos divergências com a Rússia e o povo russo".

 

Bruxelas encara a atitude do executivo de coligação entre o Syriza e os Gregos Independentes como uma falta de solidariedade perante os restantes Estados-membros. "Não é possível que, por um lado se exija solidariedade da Europa para com o nosso país, como Tsipras fez, e depois se assuma como primeiro passo oficial uma separação face à posição conjunta europeia", acusa o alemão Schulz.

 

O presidente do Parlamento Europeu vai reunir-se com Alexis Tsipras esta quinta-feira em Atenas. Este tema será, portanto, discutido simultaneamente na Grécia e em Bruxelas. Há expectativa para perceber se Atenas vai manter uma estratégia de confrontação com a linha seguida pelos restantes 27. Martin Schulz prometeu avisar Tsipras de que "uma aproximação unilateral não o irá ajudar". 




pub

Marketing Automation certified by E-GOI