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May contraria Trump e quer negociar com EUA colocando Reino Unido "primeiro"

A chefe do Governo britânico, que disse não ter "medo" de falar "francamente" com o novo presidente dos EUA, garantiu que os acordos comerciais que firmará com Washington respeitarão "primeiro" os interesses do Reino Unido.

Theresa May entra em Downing Street: O referendo que deu a vitória ao Brexit ditou a saída do até então primeiro-ministro do país. David Cameron demitiu-se e abriu espaço para nova liderança do Partido Conservador. Depois de um processo eleitoral interno, Theresa May garantiu o posto e a entrada no número 10 de Downing Street. Tendo apoiado o Remain, discretamente, Theresa May chegou à liderança do Governo britânico dando uma garantia: Brexit significa Brexit.
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Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 25 de Janeiro de 2017 às 12:52
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A primeira-ministra britânica garantiu esta quarta-feira, 25 de Janeiro, que os acordos comerciais que vier a negociar com os Estados Unidos vão colocar os interesses e os valores do Reino Unido em "primeiro". Uma posição que aparentemente conflitua com a da nova administração norte-americana, que também prometeu colocar os EUA em primeiro plano na negociação com países estrangeiros. 

"Perseguiremos um acordo comercial com os EUA que melhore o comércio entre os nossos dois países e que traga prosperidade e crescimento a este país. (...) E posso assegurar (...) que ao fazer isso porei os interesses e os valores do Reino Unido primeiro," afirmou Theresa May no parlamento britânico, citada pela Reuters.

Na sexta-feira passada, durante a tomada de posse como 45.º presidente dos EUA, Donald Trump garantiu que daí em diante seria sempre a "América primeiro", num discurso visto como de proteccionismo económico. Já esta semana anunciou a saída dos EUA da Parceria Transpacífico e a intenção de renegociar o acordo comercial NAFTA com o México e o Canadá.

A governante britânica, que respondia ao líder trabalhista, Jeremy Corbyn, sobre as relações futuras entre o Reino Unido e os EUA, à luz das propostas do novo presidente dos EUA, Donald Trump, mostrou satisfação por se encontrar em breve com Trump e disse que esse será um "sinal da força da relação entre Reino Unido e EUA".

"Não tenho medo de falar francamente ao presidente dos EUA. Posso fazê-lo porque temos uma relação especial. Uma relação que ele [líder dos trabalhistas] não teria com os EUA", afirmou a primeira-ministra numa alusão a Corbyn.

Livro branco sobre o "Brexit" vai chegar ao parlamento

Perante os deputados, May anunciou ainda que o governo vai publicar um livro branco para a saída do Reino Unido da União Europeia, um dia depois de o Supremo Tribunal ter decidido que o processo de desvinculação daquele espaço europeu tem de ser validado primeiramente pelos deputados.

A publicação do documento – um relatório produzido pelo Governo com propostas para legislação futura – será, de acordo com a governante que hoje falava no parlamento britânico, uma das oportunidades para que os deputados possam escrutinar o plano do Governo para activar o artigo 50.º do Tratado de Lisboa.

Segundo May, em declarações reproduzidas pelo The Guardian, o livro branco correrá em paralelo à proposta parlamentar que terá de ser submetida para activar o artigo 50.º e conterá o plano do executivo para a saída do Reino Unido da União Europeia.

Um porta-voz do Governo disse depois, citado pela Reuters, que a legislação para pedir a aprovação do parlamento às negociações do "Brexit" será publicada esta quinta-feira, 26 de Janeiro. 

Na semana passada, a chefe do governo de Londres anunciou a opção por uma saída "dura" da União Europeia, a que se seguirá uma negociação de parcerias estratégicas com os países do espaço europeu.
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