União Europeia Merkel diz que UE fez importante oferta para desbloquear impasse no Brexit

Merkel diz que UE fez importante oferta para desbloquear impasse no Brexit

O Governo da primeira-ministra britânica, Theresa May, tem tentado conseguir mudanças no acordo, mas a UE recusa reabrir as negociações do pacto já firmado entre as partes.
Merkel diz que UE fez importante oferta para desbloquear impasse no Brexit
Lusa 11 de março de 2019 às 16:21

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse hoje que a Comissão da União Europeia (UE) fez uma "importante oferta" ao Reino Unido para desbloquear o impasse sobre o acordo de retirada dos britânicos do bloco europeu.

 

A oposição dos legisladores britânicos ao acordo de saída de UE está centrada na questão da fronteira entre as duas Irlandas.

 

O Governo da primeira-ministra britânica, Theresa May, tem tentado conseguir mudanças no acordo, mas a UE recusa reabrir as negociações do pacto já firmado entre as partes.

 

Angela Merkel disse hoje, em Berlim, que é "muito bem-vindo" que o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, e o principal negociador da UE, Michel Barnier, tenham feito "várias sugestões" durante o fim de semana sobre o chamado ‘backstop’, sobre a questão das fronteiras entre a Irlanda, membro da UE, e a Irlanda do Norte, no Reino Unido.

 

"Penso que uma oferta importante foi novamente feita à Grã-Bretanha, e agora é claro que a Grã-Bretanha deve responder a essas ofertas", referiu Merkel.

 

Bruxelas está empenhada em ratificar o Acordo de Saída do Reino Unido da União Europeia antes de 29 de março, remetendo para o parlamento britânico a responsabilidade de tomar "um conjunto importante de decisões" esta semana.

 

"Estamos preparados para trabalhar arduamente para encontrar disposições alternativas durante o período de transição e nós, na Comissão, mantemo-nos abertos e disponíveis para encontrar os negociadores britânicos a qualquer momento. Estamos empenhados em ratificar este Acordo antes de 29 de março. Neste momento, cabe ao parlamento britânico tomar um conjunto importante de decisões esta semana", declarou o porta-voz do executivo comunitário.

 

Margaritis Schinas tinha iniciado a já inevitável referência ao ‘Brexit’ na habitual conferência de imprensa da Comissão Europeia, em Bruxelas, dando conta de um telefonema na noite de domingo, entre o presidente Jean-Claude Juncker e a líder do Governo britânico, Theresa May, na qual os dois "tomaram nota do trabalho feito a nível técnico durante o fim de semana" para solucionar o impasse do processo.

 

Na sexta-feira, em distintas publicações na rede social Twitter, o principal negociador da UE para o ‘Brexit’, Michel Barnier, revelou que o bloco comunitário ofereceu ao Reino Unido a possibilidade de sair de forma unilateral do "espaço aduaneiro comum" contemplado na solução de último recurso para a fronteira irlandesa, comummente conhecido por ‘backstop’.

 

"A UE compromete-se a dar ao Reino Unido a opção de sair da união aduaneira de forma unilateral, enquanto os outros elementos do ‘backstop’ devem ser mantidos para evitar uma fronteira física (na Irlanda). O Reino Unido não será obrigado a ficar numa união aduaneira contra a sua vontade", escreveu o dirigente francês.

 

O ‘backstop’ prevê a criação de "um espaço aduaneiro único" entre a UE e o Reino Unido, no qual as mercadorias britânicas teriam "um acesso sem taxas e sem quotas ao mercado dos 27" e que garantiria que a Irlanda do Norte se manteria alinhada com as normas do mercado único "essenciais para evitar uma fronteira rígida".

 

Esta solução de último recurso só seria ativada caso a parceria futura entre Bruxelas e Londres não ficasse fechada antes do final do período de transição, que termina a 31 de dezembro de 2020.

 

A qualquer momento após o final do período de transição, a UE ou o Reino Unido podem considerar que o mecanismo já não é necessário, mas a decisão terá que ser tomada em conjunto.

 

A proposta apresentada por Barnier permitiria ao Reino Unido abandonar unilateralmente a união aduaneira, mas a Irlanda do Norte permaneceria nesse "espaço aduaneiro único".

 

Anteriormente, a primeira-ministra britânica, Theresa May, já se tinha oposto a esta possibilidade, por não querer estabelecer uma fronteira aduaneira no mar da Irlanda, entre a ilha da Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte.

O Parlamento britânico deverá votar novamente na terça-feira o Acordo de Saída do Reino Unido da União Europeia (UE), depois de ter chumbado o texto numa primeira votação, em 15 de janeiro, por uma margem recorde de 230 deputados, incluindo 118 do partido Conservador que se rebelaram contra o próprio Governo.

 




Saber mais e Alertas
pub

Marketing Automation certified by E-GOI