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Público: Carlos Moedas "não perde muito tempo" com reestruturação da dívida

O comissário considera que não haverá consenso "no curto prazo" sobre o tema da dívida e garante, em entrevista ao Público, que Bruxelas vê António Costa como "um homem da Europa".

Bruno Simão/Negócios
Negócios jng@negocios.pt 29 de Fevereiro de 2016 às 09:11
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O comissário europeu da Investigação, Ciência e Inovação lamenta que a reestruturação da dívida se tenha tornado "uma palavra política e não uma palavra técnica, como deveria ser desde o princípio", fechando a porta a uma discussão que continua a ser aberta por dois partidos que sustentam o Executivo português na Assembleia da República.

 

Em entrevista ao Público, editada esta segunda-feira, 29 de Fevereiro, Carlos Moedas lembra as diferenças de opinião entre os 28 países da União Europeia que se sentam à mesma mesa e adverte que "não é uma questão, neste momento, porque politicamente" os "passos para o futuro" que o bloco europeu tem de dar são "estabilizar, reequilibrar, fazer as reformas".

 

"Sinceramente, é daquele temas em que eu não consigo intelectualmente perder muito tempo porque sei que há outras maneiras de conseguir avançar na Europa e não estar a ir para temas em que não vamos conseguir qualquer tipo de consenso", resumiu o antigo secretário de Estado adjunto de Passos Coelho, apontado em Setembro de 2014 para a equipa de Jean-Claude Juncker.

 

E também o dossiê dos "eurobonds" depende dos acordos entre os vários países, lembrou. "Podemos pensar que a curto prazo vai haver um consenso? Penso que não. São temas em que não há um consenso possível no curto prazo. (…) Prefiro pedir à Europa para investir mais em ciência do que propriamente em temas que são tão fracturantes", acrescentou o comissário, que tem a responsabilidade de gerir 80 mil milhões de euros ao longo do seu mandato.

 

Após ter sido recolocado pelo Bloco de Esquerda no debate parlamentar sobre o Orçamento do Estado para 2016, o tema da renegociação da dívida foi rechaçado de imediato pelo ministro adjunto socialista. "Não está de todo na agenda. (…) Não faz sentido colocar essa questão isolada, mas apenas à escala europeia", resumiu Eduardo Cabrita.

 

Já na véspera, a 24 de Fevereiro, também o vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo Euro avisara em Bruxelas que uma eventual reestruturação da dívida só está a ser discutida actualmente ao nível europeu no caso da Grécia, que está sob o terceiro resgate, e não para Portugal ou outro país.

 

De olho nos bancos

 

Na mesma entrevista, questionado sobre como olha Bruxelas para um Governo apoiado por dois partidos de extrema-esquerda, Carlos Moedas garantiu que a Europa "não olha para isso", mas "para o Governo português, para um primeiro-ministro que é um europeísta convicto, um homem da Europa".

 

O comissário diz ainda que "não [pensa] que exista" o risco de a banca portuguesa vir a precisar de um resgate semelhante ao que foi executado em Espanha, sublinhando, porém, que "vivemos um período difícil em que existem fragilidades, e não só em Portugal". "Daí a necessidade de união bancária, com um sistema de resolução comum, toda a parte de garantia de depósito que possa evitar futuros problemas bancários", justificou.

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