União Europeia Moody's: Portugal é dos países da UE que mais tem de reformar o mercado de trabalho

Moody's: Portugal é dos países da UE que mais tem de reformar o mercado de trabalho

A agência de notação financeira avisa que os países europeus têm de pôr mãos à obra e reformar os seus mercados de trabalho e de serviços, para aumentarem o seu crescimento potencial. Portugal destaca-se pela negativa.
Moody's: Portugal é dos países da UE que mais tem de reformar o mercado de trabalho
Bloomberg
Margarida Peixoto 17 de setembro de 2019 às 12:09

A União Europeia precisa de implementar reformas no mercado de trabalho e Portugal é um dos países onde esta carência é mais evidente. O aviso é da agência de notação financeira Moody's, num relatório publicado esta terça-feira, 17 de setembro. 

"O desafio de reforma é significativo", lê-se no documento, que se refere ao conjunto dos países da União Europeia. Mas "a maioria das necessidades de reformas laborais continua concentrada na periferia da Zona Euro", adiantam os analistas, que notam que as carências em Espanha, França, Itália e Portugal "são muito maiores, apesar das ações tomadas durante, ou desde, a crise das dívidas soberanas da Zona Euro".

A Moody's diz que os países cujo rendimento ainda está a convergir com a média europeia registam níveis mais altos de crescimento potencial, mas Portugal é "uma notável exceção". A economia portuguesa é destacada como uma das que mais precisa de reformas no mercado de trabalho, com especial enfoque na legislação de proteção ao emprego e no enquadramento dos contratos de trabalho, que constituem "barreiras ao investimento". Também os salários e o seu modelo de definição prejudicam as intenções de investimento no país, acrescenta o documento.

A agência frisa que em Portugal, na Eslovénia, Polónia, Itália e Croácia, mais de 60% dos empregos temporários são ocupados por jovens, o que prejudica a equidade e baixa a produtividade laboral, uma vez que as empresas têm menos incentivo em investir nestes trabalhadores. A economia nacional tem ainda baixos níveis de frequência do ensino, o que prejudica o crescimento.

Pela positiva, a Moody's destaca apenas que a economia portuguesa é um bom exemplo de como o crescimento económico é uma forma de reduzir o peso da dívida: "Em 2017, o crescimento de 2,8% da economia portuguesa permitiu um declínio de 3,5 pontos percentuais na dívida pública (de um total de 4,5 pontos de redução)."

Mas o problema da falta de crescimento potencial não é um exclusivo português. A Moody's calcula que, por exemplo, a Alemanha poderia beneficiar de um crescimento adicional de 10% nos próximos dez anos se implementasse as reformas laborais que a Comissão Europeia está a recomendar. França poderia beneficiar de um crescimento adicional de 5,1% e Espanha de 3,1%.

Além do mercado de trabalho, a agência de notação financeira argumenta que também são precisas mais reformas nos mercados de produto e de serviço. No mercado de serviços, a Alemanha tem registado um crescimento baixo de produtividade, tendo ainda muitas oportunidades de melhoria. Este domínio tem sido aquele em que os países da União Europeia registam piores taxas de implementação das recomendações feitas pela Comissão Europeia, no âmbito do semestre europeu, frisa o relatório. Aqui, Portugal aparece citado como um dos países com menores níveis de empreendedorismo dentro das grandes empresas, juntamente com a Grécia, Itália, Espanha, Polónia e Hungria.




pub

Marketing Automation certified by E-GOI