União Europeia No Reino Unido, o eurocepticismo é velho, de direita e pobre

No Reino Unido, o eurocepticismo é velho, de direita e pobre

No Reino Unido, o cepticismo relativamente à União Europeia é maior entre os homens e aumenta com a idade. Quem vota à direita é mais adepto de Brexit do que a esquerda.
No Reino Unido, o eurocepticismo é velho, de direita e pobre
Reuters
Negócios 23 de junho de 2016 às 18:13

Num dia decisivo para o futuro do Reino Unido, uma sondagem da YouGov que aponta para uma ligeira vantagem do "Remain", permite fazer uma caracterização mais fina sobre a origem socio-económica, geográfica e ideológica dos eleitores. O Brexit é um cenário mais defendido pelos homens do que pelas mulheres, pelo eleitorado de direita, e pelos residentes no interior e norte do arquipélago. Quanto mais velho, maior o cepticismo relativamente à União Europeia. E quanto mais privilegiado, mais favorável à continuidade na União Europeia. 

O resultado global da sondagem realizada pela empresa de estudos de mercado YouGov junto de 3.766 cidadãos entre os dias 20 e 22 de Junho, dá uma vantagem de dois pontos ao Bremain - se os resultados se confirmassem, o Reino Unido permaneceria na União Europeia por 51% dos votos contra 49% de defensores da saída. 


A maior parte dos eleitores que defende o abandono da União Europeia votaram à direita nas últimas eleições. Desde logo no partido nacionalista e xenófobo UKIP (93% dos seus eleitores apoia a saída), mas também nos Conservadores, o partido de David Cameron, onde 59% dos apoiantes defende o Brexit. 

Este eurocepticismo à direita acabou por obrigar o Labour a vir a terreiro defender oficialmente o voto no Bremain e as sondagens mostram que a grande maioria, 68%, tenciona seguir a indicação oficial do partido. 

Entre os apoiantes dos centristas Liberais Democratas, o apoio ao Bremain é esmagador - são 71% a favor da permanência, contra 29% contra. 

Ao nível do género, as diferenças são residuais. 51% dos homens defende a saída, ao passo que com as mulheres acontece o inverso, 51% defende a permanência. 

Em termos etários, o contraste é gritante: 80% dos jovens até aos 24 anos quer continuar na União Europeia, enquanto 63% das pessoas com mais de 65 anos prefere sair. 



























Fonte: YouGov



Da análise por género, as diferenças não são significativas, mas mostram que as mulheres são mais partidárias da permanência do que os homens. 



























Fonte: YouGov



O cepticismo relativamente à União Europeia avança à medida que a idade aumenta. De acordo com a YouGov, os jovens entre os 18 e os 24 anos são claramente entusiastas do projecto europeu. Já no outro extremo da escala etária, de pessoas com mais de 65 anos de idade, é onde o pessimismo mais se manifesta: 63% é pelo Brexit. 
























 

Fonte: YouGov




O estatuto económico-social também denuncia diferentes preferências: tendencialmente, quanto melhor o estatuto, maior a defesa do Bremain. Entre operários, trabalhadores pouco qualificados e beneficiários de prestações sociais, a maioria (61%) quer abandonar a União Europeia. 


























Fonte: YouGov


A região de Londres concentra a maior percentagem de euro-entusiastas, liderando as preferências pelo Bremain – são 62% a favor e 38% - seguida da Irlanda do Norte. O resto do território é mais céptico, embora não haja divisões muito marcadas. 


























Fonte: YouGov











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